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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 193

Enoch

O avião tocou o solo de Denver como um baque seco dentro de mim. Uma parte do meu peito ficou em Sydney. Ou melhor… ficou nela.

Desembarquei como se algo estivesse faltando, nem o peso da mochila em minhas costas era o suficiente para acalmar a revolta do meu lobo.

Meu pai estava me esperando do lado de fora do aeroporto, encostado em seu carro, com aquela pose de que sabe como resolver tudo.

Quando me viu, o rosto dele se suavizou apenas o suficiente para denunciar o afeto.

“Fico feliz por ter você de volta, filho.”

Ofereci um sorriso curto, quase educado demais para o que ele merecia. Mas Ragnar percebeu. Ele sempre percebe.

“Pelo visto as coisas não saíram como você planejava.”

Dei uma risada áspera, sem humor. “Não é que não saíram. É que… não tinham como sair. Ela não quer viver no mundo dos lobos. Então resolvemos que é melhor parar por aqui.”

Ragnar assentiu devagar, o olhar pesado com compreensão real. “Sinto muito. Mas era uma possibilidade. Gosto dela por que ela foi verdadeira com você desde o início.” ele me abraçou pelos ombros e tentei não me sentir um filhote ingênuo, mas a verdade é que eu só queria me esconder ali.

“Ela é. Laura sempre foi verdadeira em tudo que fez e não foi diferente com a gente.” Afastei o olhar para a pista vazia. “Pai, eu preciso ocupar a cabeça. Quero ajudar mais aqui. Como os meus irmãos. Quero fazer mais parte da alcateia. Me coloca em alguma coisa, por favor.”

“Você terá responsabilidades importantes, desde que mostre que está pronto para isso, Enoch.” Ragnar ajeitou a chave no bolso. “Por agora, vai acompanhar o Gabriel. Ele vai te ensinar a estrutura inteira.”

Gabriel. O beta do meu pai. Disciplinado, sério, rígido. Perfeito para manter minha mente longe de… dela.

“Tá bom.” Respirei fundo. “Vamos.”

Entramos no carro. O caminho até a propriedade da alcateia nunca pareceu tão longo. Cada árvore que passava parecia uma sentença. Quando a casa grande surgiu no horizonte, meu peito apertou de um jeito que eu não esperava.

Minha mãe estava no jardim, como sempre, cuidando das flores mesmo no frio de Denver. Assim que me viu, correu até mim, abrindo os braços.

“Meu menino… eu fiz um lanche para você, vem, você deve estar exausto.”

Abracei ela, como se aquilo fosse meu porto seguro, mas na verdade doeu mais do que eu imaginava. “Mãe, eu… não estou com fome. Acho que vou dormir um pouco.”

Ela recuou, preocupada, mas assentiu.

"Tudo bem, descansa, meu amor. Mas não ache que vai ficar sem comer." sorri de lado dando um beijo em sua bochecha.

"Obrigado, quando eu descer vou procurar pelo seu lanchinho, que acredito que deve ser uma mesa de uns 3 metros."

"Por ai..." ri com ela e a abracei de novo, me afastando e indo para o meu quarto.

Assim que entrei, foi como se eu estivesse em um mundo paralelo. Agora parecia diferente. Estranho. Um quarto que pertencia a uma versão antiga de mim. Desde que tinha vivido em Sydney, naquele apartamento cheio do cheiro dela, da risada dela, da voz dela… esse espaço parecia pertencer a outro homem.

E eu não sabia exatamente quem eu era agora.

Me joguei na cama e puxei o celular. A luz da tela iluminou a foto dela. Laura sorrindo, com um raio de sol cortando o rosto. Acariciei a imagem com o polegar, sentindo o peito queimar.

Eu só queria que ela tivesse se permitido um pouco mais. Que tivesse tentado.

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