Laura
Assim que a porta se abriu e eu vi Enoch ali dentro, meu corpo congelou. Não foi só o impacto visual, não foi só o choque de reencontrá-lo depois de tanto tempo tentando sobreviver longe dele. Foi… o conjunto inteiro. Os olhos dele. A postura rígida.
Mas nada doeu tanto quanto notar que ele não estava sozinho.
A mulher ao lado dele estava perto demais. Perto o suficiente para que meu estômago se retorcesse como se uma mão invisível o apertasse. Ela estava bonita, arrumada, confiante. E eu? Eu parecia ter chorado uma vida inteira.
Foi isso que me quebrou.
O rosto dele mudou quando me viu. O olhar dele incendiou o ar entre nós, e a mulher deu um passo para o lado, surpresa. Mas eu nem consegui registrar mais nada, porque meus olhos encheram de lágrimas tão rápido que a sala virou um borrão.
Rubi apertou minha mão. Riuk murmurou para de mim. Mas tudo pareceu distante.
Era só ele.
Ele andando até mim com firmeza, como se nada no mundo fosse mais urgente.
Quando chegou pertinho, minhas pernas falharam. Literalmente falharam.
E eu desabei.
Chorei como quem quebra uma represa. Enoch não hesitou. Não pensou. Não mediu. Só me envolveu nos braços com tanta força, com tanta certeza, que eu ergui os pés do chão sem perceber.
Ele me puxou contra o corpo enorme e eu automaticamente entrelacei as pernas na cintura dele, como se meu próprio corpo lembrasse de algo que a minha mente não tinha mais permissão de esquecer.
Eu me agarrei a ele. Sem vergonha. Sem filtro. Sem orgulho.
E ele me segurou como se nunca tivesse soltado.
O cheiro dele me envolveu inteiro, quente, denso, quase palpável. Meu coração socou o peito. O coração dele estava do mesmo jeito, acelerado, batendo forte contra o meu.
Ele virou e começou a andar comigo no colo, como se eu não tivesse peso algum. Como se fosse instinto. Como se fosse meu lugar.
Eu só enterrei o rosto no pescoço dele, sentindo o calor, o toque, a respiração dele falhar. Meu corpo reconheceu o dele com uma familiaridade que me arremessou de volta no tempo, no último dia em que ficamos juntos, quando eu ainda acreditava que nada ia dar errado.
Mas eu tinha errado.
E agora eu estava ali, agarrada ao homem que talvez tivesse seguido em frente, enquanto eu… eu só tinha medo.
Ele entrou em algum lugar. Um quarto, acho. Mas eu nem olhei. Meu mundo era ele.
Ficamos assim por minutos. Muitos minutos. Respirando um no outro, tentando acreditar que aquilo era real. Que não era mais um sonho torturante como os que me perseguiam à noite.
Quando ele finalmente afastou o rosto, foi só o suficiente para falar contra meu cabelo.
"Por que não me ligou?" A voz dele estava rouca, espremida por algo que soava como dor. "Por que não me contou?"
Eu respirei fundo, mas minha respiração saiu quebrada.
"Eu descobri ontem…" funguei. "Seu irmão achou melhor vir direto para cá."
Ele me abraçou ainda mais forte, como se quisesse me absorver.
Depois me afastou com cuidado, segurando meu rosto com uma de suas mãos. Os olhos dourados dele analisaram cada parte de mim, como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento.

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