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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 37

Rubi

“Como assim… por outros olhos?”

A voz de Riuk rompe o silêncio confortável que tinha se instalado entre nós.

Pisco, tentando organizar o que eu mesma não entendo.

“Não sei explicar.” Apoio o lápis digital na mesa. “É só uma sensação esquisita. Como se… tivesse outra percepção junto da minha. Não é ruim. Só… diferente.”

Ele me observa com atenção demais.

O tipo de atenção que arrepia a nuca.

Então sorri, aquele sorriso leve e quente que ele usa quando quer me acalmar.

“Isso deve ser a adrenalina ainda correndo pelo seu corpo,” diz, encostando o ombro no meu. “Mas, se quiser, eu posso marcar um médico.”

“Nada disso.” Balanço a cabeça. “Eu tô bem. Mais uns dias e voltarei a ser a velha e sem graça sem lobo Reynolds.”

Ele me encara sério, e toca meu queixo.

"Não gosto que você se menospreze assim."

"Não é isso, é só que é um saco ser uma humana entre uma família de lobos. Sou 'delicada demais'." bufo e ele acaricia meu rosto.

"Essa delicadeza é seu encanto, pequena. Deveria ter cuidado com isso." ele se afasta, e eu respiro com dificuldade.

Volto para o projeto no notebook.

E é incrível como agora eu vejo o toque dele ali também.

Nos mínimos detalhes.

Na precisão dos cálculos que ele sugeriu.

Na curvatura do desenho que só existe porque ele me fez enxergar por outro ângulo.

O projeto não é mais só meu.

É nosso.

E isso me aquece… e me apavora, por que se eu continuar, estaremos sempre ligados, não só no projeto, como na execução e também na entrega e se eu não quero mais o atrair para o perigo que é estar ao meu lado, como vou fazer isso, ficando o tempo todo assim com ele?

O celular dele toca.

Ele olha a tela, franze o cenho e… recusa a ligação.

Mais tarde, toca de novo.

Outra ligação.

Outra recusa.

“Você… não vai atender?” pergunto, tentando soar neutra.

“Hoje vou trabalhar de casa. Já avisei a equipe por e-mail, mas aparentemente, eles não estão conseguindo se virar sem mim.”

"Então atenda e resolva, ué. Não precisa se preocupar comigo, Riuk, eu estou bem."

"Prometo que vou resolver isso, e volto minha atenção toda pra você."

Minha respiração falha um pouco.

É tão bom tê-lo aqui.

Bom demais.

Perigoso demais.

Desvio o olhar e me levanto.

“Para de falar isso." ele sorri de lado. "Vou preparar algo para a gente comer.”

Ainda estou mancando um pouco, mas quando apoio a mão no balcão percebo que os cortes… estão menores. Fechando mais rápido do que deveriam.

Algo dentro de mim… suspira aliviado.

Que porra é essa?

Abro a dispensa e encontro frutas.

Pães frescos.

Aveia.

Coisas que não estavam ali na noite anterior.

E a geladeira?

Leite, suco, iogurte.

“Que horas ele comprou tudo isso…?”

Preparo a mesa com o que consigo segurar: frutas fatiadas, pão, geleia.

Coloco o café para passar.

Estou tão concentrada que nem percebo a aproximação dele até ouvir sua voz:

“Você devia ter dito que estava com fome.”

Ele cruza os braços na porta da cozinha, apoiando o ombro na parede. Descalço. Sem camisa. Corpo inteiro relaxado… mas com um olhar que não relaxa nunca. “Eu preparava algo.”

Sorrio de canto.

“Você já fez demais.”

37. Despertar 1

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