Riuk
A respiração dela ainda está instável, os sentidos despertos demais, o corpo reagindo ao mundo como se tivesse acabado de nascer nele. Minha loba recém-acordada.
Eu passo o polegar no canto dos lábios dela, limpando as últimas lágrimas.
“Os filhotes não treinam só para aprender a lutar, Rubi,” digo baixo, meus dedos sob sua nuca, e fazendo uma leve massagem. “Eles treinam para que a primeira transformação não acabe com eles.”
Ela engole seco.
Eu sinto o medo perfurando o cheiro dela.
“E… eu não treinei... não depois que as matriarcas disseram que eu nunca seria uma loba.” ela sussurra.
“Mas isso não quer dizer que você não possa fazer isso agora.”
Firmo meus dedos em sua pele, e a faça me olhar.
“Mas vai treinar. Eu vou ensinar tudo. Vou preparar você pra cada etapa. Quando sua loba decidir emergir de verdade, você vai ter força pra suportar.”
Os olhos dela brilham, não sei se de medo ou alívio.
Talvez os dois.
"Será que vai ser o suficiente?"
"Terá que ser, pequena."
"Você sabe quando ela pode querer emergir?" nego com a cabeça.
"Vai ser o momento dela. Quando ela achar que vocês duas merecem ser vistas como são."
Ela parece tremer, mas eu continuo lhe falando a verdade. Não tem por que eu esconder.
"Sei que parece assustador, mas é natural para nós. Sua loba só levo mais tempo que os outros."
“Não é isso." Ela para por um segundo, me analisando. "Riuk… o que eu vou enfrentar na Caçada?” ela pergunta quase num fio de voz. “Eu não faço ideia do que acontece lá. E acho que isso me apavora mais do que a transformação."
Eu dou de ombros, sincero.
“Faz muito tempo que uma Caçada não acontece. Nem eu, nem Eron, nem ninguém da nossa geração participou de uma completa. Mas eu acho que não é só sobre juntar casais. Nunca foi.”
Solto um suspiro pesado.
“Tem alguma coisa por trás. Tradições antigas. Testes antigos. A Caçada mostra quem você é… e quem você pode se tornar.”
Ela franze a testa e aperta os dedos em meus braços, com a força que ela não tinha ontem, e nem percebe.
“Eron vai… me querer mais agora. Se eu sou uma loba, ele...”
“Ele não vai.”
Minha voz sai dura.
Instintiva.
Definitiva.
Ela ergue o olhar, surpresa.
“Ele não vai querer nada que você não quiser,” digo firme. “E eu não vou deixar que ele tente.”
O medo diminui.
Mas ela dá um passo para trás.
Ou melhor, tenta.
Meu corpo reage mais rápido.
Meu lobo, ainda mais.
Eu deslizo a mão pela cintura dela, puxando-a de volta sem nem pensar.
“Não foge de mim agora.” isso foi mais meu lobo, do que eu.
Ela ri nervosa.
“Eu… eu só pensei em… respirar.”
“Respira aqui,” murmuro, cheirando o pescoço dela. “Perto de mim. Onde eu ainda consigo não surtar.” ela ergue os olhos.



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