Rubi
Eu ainda estou usando a camisa dele.
O tecido é tão grande em mim que quase vira um vestido, e o cheiro dele está grudado na minha pele como se tivesse se entranhado em mim. Riuk dirige com a mão firme no volante, a outra descansando perto o suficiente para que meus sentidos novos fiquem enlouquecidos com a presença dele.
E eu tento… tento parecer normal no banco do passageiro.
Mas nada em mim é normal desde que acordei sentindo o mundo pulsar de outro jeito.
Ele dirige silencioso, mas o silêncio dele não pesa.
É atento.
É alerta.
É… protetor.
O lobo dele está tão próximo da superfície que eu quase posso senti-lo respirando junto comigo.
Quando ele estaciona em frente ao meu prédio, minha respiração falha por um segundo. O coração b**e mais forte do que deveria e não pela adrenalina do acidente dessa vez.
É outra coisa.
Algo quente.
Algo que me puxa para ele mesmo quando eu deveria estar pensando em colocar uma roupa decente.
Abro a porta do carro devagar, e ele já está do outro lado em segundos, como se o movimento fosse instintivo. Ele não toca em mim, mas sua presença… me envolve. Me cerca.
Caminhamos juntos até a entrada. E não é como caminhar ao lado de um homem.
É como caminhar ao lado de algo que me reconhece.
Ele anda perto demais.
Ou talvez eu esteja percebendo ele… demais.
Cada passo dele soa como um aviso ao mundo inteiro:
ela está comigo.
E o pior?
Eu não deveria gostar disso.
Mas gosto.
Gosto demais.
Paro diante da porta do meu prédio e finalmente encontro coragem pra falar:
“Você… quer subir comigo?”
A pergunta sai mais suave do que eu pretendia.
Quase insegura.
Quase esperançosa.
Ele me encara como se a resposta fosse tão óbvia quanto respirar.
"Achei que não fosse perguntar, e eu teria que pedir." dou risada.
As palavras dele soam como se ficar longe de mim… não fosse mais uma opção.
O elevador sobe devagar demais. E o cheiro dele, caralho, o cheiro dele está em todo lugar, dentro de mim, bagunçando meus pensamentos. Minha loba está enlouquecida, me impulsionando a ficar cada vez mais perto dele. E nossas trocas de olhares refletem exatamente o que eu não consigo explicar.
Quando a porta abre, nem tenho tempo de me preparar.
“RUBI!”
Laura vem correndo como um foguete, e antes que eu diga qualquer coisa, ela já está me sacudindo pelos ombros.
“MEU DEUS, MULHER! Eu liguei mil vezes! Achei que você tinha morrido, sido sequestrada, explodido, não sei! O que aconteceu? Por que...”
Ela congela.
Porque finalmente percebe Riuk atrás de mim.
E eu juro… ela olha pra ele, olha pra mim, olha pra camisa dele em mim, e a expressão dela vira uma interrogação safada de três metros.
“Oi… chefe.” ela diz, puxando a voz de um jeito tão suspeito que eu quase engasgo.
“Laura.” Riuk responde, sério como sempre.
Pronto. Ela entendeu TUDO.
Eu estreito os olhos.
“Nem pensa.”
Ela abre a boca.
“Eu...”
“Laura, cala a boca.”
Ela até ergue as mãos em rendição.
Eu me viro para Riuk com um sorriso sem graça.
“Fica à vontade, eu já volto. Dois minutos e podemos ir.”
Ele assente, colocando as mãos no bolso, mas seus olhos me seguem até eu desaparecer pelo corredor.
Claro que seguem.
O lobo dele me segue mesmo quando ele não move um músculo.
Laura entra comigo no quarto assim que fecho a porta.
“O que. Tá. Acontecendo?” ela sussurra, gesticulando como se tentasse pegar as palavras no ar. "Falaram na empresa que você foi atropelada.... mas pelo que vejo, você está ótima." ela se senta em minha cama me olhando com malícia.
Eu suspiro.



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