Rubi
A tensão corre pelas minhas veias feito veneno quente. Eu prenso os dentes, endireito a postura e lanço ao assistente um olhar que corta.
"Ah, entendi… então é isso que você anda fazendo, né?" deixo minha voz escorregar, doce e afiada como uma lâmina. "Dormindo com a Simone pra garantir seu posto de assistente fiel?"
Os olhos dele se arregalam como se eu tivesse acertado em cheio e acertei.
Dou mais um passo, e sinto minha loba crescer dentro de mim, satisfeita.
"Não sei se você sabe," continuo, inclinando levemente a cabeça, "mas o chefe… além de ser meu ex-cunhado, é meu primo. A mãe dele é irmã do meu pai."
Silêncio.
O tipo de silêncio que denuncia pânico.
"Então estamos em família aqui." Sorrio. "Não acho que você ou sua chefe possam fazer muita coisa em relação a isso. E inventar histórias pra camuflar o meu potencial seria complicado, já que quem manda na empresa é ele. Eu posso, inclusive, pedir que ele avalie a postura de vocês dois."
Os olhos dele se arregalam ainda mais, se é que isso é possível. Parece que acabei de jogar uma bomba no colo dele.
"Eu… eu não sabia que vocês eram…"
"Primos?" completo, arqueando uma sobrancelha. "Conhece a Construtora Reynolds, não conhece?"
Vejo quando a ficha cai. O nome. A família. O peso.
"Pois é." Ergo o queixo. "Uma simples pesquisa na internet teria te mostrado tudo isso. Informações reais. Daquelas que fofoca de corredor nunca traz. Então, antes de me acusar de alguma coisa, querido… tenha todos os fatos em mãos."
Ele engole seco. Perfeito.
"Eu já ajudava minha tia e minha avó na empresa antes mesmo de me formar. Não é um papel que define o quão boa eu sou. É a experiência. Anos de campo. Coisa que nem você, nem a sua chefe têm."
Minha loba ruge dentro de mim com tanta força que minhas mãos chegam a formigar.
O assistente dá um passo para trás, como se eu tivesse mordido.
E a sensação é boa demais.
"Acho bom começar a fazer mais do que dormir com a sua chefe, para garantir seu emprego." me afasto e foco no meu trabalho como se nada tivesse acontecido.
Olho o ambiente, anoto mentalmente o que falta ajustar, observo de canto de olho quando Simone e o assistente se retiram, tensos, quase atropelando o próprio ego.
Finjo não notar Riuk se aproximando… mas agora eu percebo tudo.
Até o modo como ele pisa, sutil e alerta, como se estivesse pronto pra me segurar pelos pulsos se eu decidisse morder alguém de novo.
E isso me arranca um sorriso sem que eu permita.
Ele para bem na minha frente. O sorriso dele é lento, perigoso, quente o bastante pra fazer minha loba se esticar dentro de mim.
"Acho que você acabou de revelar quem é a verdadeira Rubi Reynolds."
Seguro o olhar dele, firme.
"Eu acho que não tive escolha."
Ainda sinto meu coração acelerado, minha loba pulsando como se tivesse acabado de derrubar uma árvore inteira com as próprias garras. Olho para Riuk e abaixo um pouco o olhar, respirando fundo.
"Desculpa…" solto, mesmo sabendo que não me arrependo de nada. "Eu não consegui me conter. A Simone soltou o que viu na sua sala e… eu não podia deixar que pensassem que eu não sou boa no que faço."
Riuk rosna, literal, baixo, como se tivesse uma fera presa na garganta.
"Você sabe que o rendimento dela é baixo."
Dou de ombros.
"Então deixe para quando os projetos forem apresentados. Fica mais profissional."
Ele respira fundo, como se estivesse tentando domar algo dentro dele, e finalmente concorda.
"Mas se ela se aproximar de você de novo," ele diz, num tom que arrepia meu corpo inteiro, "é o meu lobo que vai assumir a questão."
Sorrio.
Não devia sorrir.
Mas sorrio.
Ele retribui, um sorriso lento, quente, perigoso.
"Então… já que quer ser treinada," diz enquanto guarda o celular no bolso, "vou te levar ao local onde eu treino todas as noites. Pra me manter em forma."
Eu olho descaradamente para o corpo dele, a camisa justa, o peito largo, os ombros fortes, as mãos enormes.
E deixo a provocação escorregar dos meus lábios:
"E que forma…"
O brilho que acende nos olhos dele diz tudo.

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