Rubi
Ver Simone ali, me traz mais algumas percepções que eu ainda não tinha notado.
Não em Laura, a quem eu não quis analisar. Mas aquela, ela, sim, merecia um tempo a mais da minha loba.
É como se o ar ao redor dela mudasse.
Ela está parada no meio do terreno, as mãos cruzadas, postura impecável, aquele sorriso que nunca chega aos olhos. Ao lado, o assistente dela, um homem magro, com olhar atento e desconfortável, como se estivesse analisando tudo e todo mundo ali.
Simone não percebe a diferença.
Nenhum humano percebe.
Mas meu mundo… mudou.
E, com ele, a forma como eu vejo as pessoas.
Ela dá dois passos na nossa direção e meu corpo inteiro reage.
Ou melhor… minha loba reage.
Um rosnado silencioso vibra dentro de mim, tão inesperado que preciso fechar a mão no caderno para me controlar.
Porque o jeito como Simone olha para Riuk…
Ah, eu poderia ver aquilo de olhos vendados.
É desejo.
É interesse.
É provocação.
É tudo o que minha loba detesta.
“Que coincidência,” ela diz, o sorriso falso brilhando. “Tivemos a mesma ideia. Vim analisar o terreno hoje também. Poderíamos ter vindo juntos.” Ela lança o olhar para Riuk, cheio de interesse e insinuação.
Eu reprimo o impulso de arrancar aquele sorriso do rosto dela.
Literalmente.
O assistente dela continua me observando, desconfortável, como se já estivesse montando um dossiê mental sobre mim. Ótimo. As fofocas devem ter corrido soltas desde ontem: “a nova arquiteta e o chefe se agarrando na sala”.
Inspiro fundo, tentando conter a onda de irritação que sobe pelas minhas costas.
Riuk responde antes que eu perca o controle:
“Estamos apenas observando o terreno novamente para garantir que nada saia errado no projeto.”
Profissional.
Calmo.
Mas eu sinto o lobo dele à espreita.
Do mesmo jeito que sinto a minha.
Simone ri baixo, avaliando cada detalhe como se fosse dona dali.
“Ah, claro… com a SUA ajuda, ela deve fazer um projeto bem interessante.”
A ênfase no “sua” é tão sutil que qualquer humano ignoraria.
Mas não eu.
Não mais.
E Riuk também não.
Eu sinto a tensão nele.
Vejo o maxilar trincando, a resposta afiando na ponta da língua.
O lobo dele pronto para defender o que é dele, ou o que ele quer que seja.
Por isso me adianto.
“Na verdade, Simone…” dou um passo para frente, tranquila, profissional… mas com um sorriso que não chega a ser simpático.
“Você tem razão.”
Ela pisca, surpresa.
“A visão do Riuk é maravilhosa mesmo,” completo. “Enriquece qualquer projeto. E você pode ter certeza… vai se surpreender com o que ele tem planejado. Talvez devesse desistir, seu projeto não tem chances de ser aprovado.” sussurro baixo para que apenas ela ouça, e seu olhar muda.
"Ah minha cara, você é uma novata nisso, mesmo com o dedo do chefe, não tem como se comparar ao meu talento. Espero que da próxima vez você entenda isso." ela fala alto para que tanto Riuk quanto o assistente escutem.
"Isso quem vai decidir é o cliente, não é querida. Nós apenas podemos dar o nosso melhor."
Riuk vira o rosto um pouco, como se tentasse esconder um sorriso.
Simone endurece.


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