Riuk
Rubi dorme encostada no meu ombro, e eu não consigo fechar os olhos nem por um segundo.
Tô puto.
Puto de verdade.
Nada disso era pra estar acontecendo agora. Não era o momento de voltar, nem de envolver o Supremo, nem família, nem esse circo inteiro. Mas dadas as circunstâncias… foi o único movimento que me restou pra proteger ela.
Rubi tremeu boa parte da noite enquanto sobrevoávamos o oceano, e fazê-la descansar foi um exercício de carinho, paciência… e controle. Controle demais. Porque cada vez que ela se encolhia contra mim, meu lobo avançava com força, querendo puxá-la pro meu colo, envolver, marcar, garantir que nada nem ninguém nunca mais chegaria perto dela.
E eu sei o quanto isso, essa tensão muda, esse cuidado que ela percebe, pode confundir o que existe entre nós.
Enquanto eu tô preocupado com Atlas, ela tá preocupada com Eron.
Não que eu não esteja também, mas ele não é louco de encostar um dedo nela. Não mais. Eu já deixei isso claro para ele.
Talvez envolver o Eron nisso seja útil. Pelo menos mantém o idiota ocupado e longe da Rubi.
Mas se ele tocar nela…
Se ele fizer ela chorar…
Eu não sei do que sou capaz.
Mas meu lobo sabe.
E ele está inquieto, rondando por baixo da minha pele, rosnando pra tudo e todos que ousam existir perto da loba dele.
Inclino o rosto até o dela.
Cheiro sua pele. E porra, não tem mais nada.
Nem o cheiro da loba dela.
Nem o meu nela. Nada.
O camuflador ainda tá funcionando, e isso deixa meu lobo possesso. Ele avança dentro de mim, arranhando, querendo marcar, morder, colar ela em mim pra sempre.
Eu aperto a mandíbula e empurro o instinto pra baixo.
Marcar agora é impossível.
Me contentava com o cheiro dela grudado em mim, mas nem isso tenho mais.
E isso me mata por dentro.
Assim que pousamos, respiro fundo, tentando me concentrar no porquê estamos aqui e passo a mão devagar no braço dela e sussurro:
“Pequena… acorda. Chegamos.”
Ela se mexe devagar, ainda meio sonolenta, pisca confusa para as luzes do hangar pela janela do avião. A expressão dela muda na hora. O medo, a tensão, tudo volta.
“Temos mesmo que descer?”, ela pergunta baixinho, quase se encolhendo.
Eu forço um sorriso, o mais tranquilo que consigo fingir.
“É nossa única chance. Mas eu vou estar com você o tempo todo. Nunca mais você vai passar por qualquer coisa que não queria. Eron não vai te perturbar, eu juro.”
Ela respira fundo e confirma com a cabeça.
Descemos juntos.
O vento gelado de Denver b**e no rosto dela e ela se aproxima instintivamente de mim, mas eu não posso puxá-la. Não aqui. Não agora.
Uma fileira inteira de seguranças nos espera, todos farejando o ar, atentos.
Ela sussurra quase rindo, mesmo nervosa:
“Às vezes eu esqueço que você também é um filhote supremo.”
Eu rio baixo.
Beijo o topo da cabeça dela, rápido, antes que alguém veja demais.
"Ah loba, o que eu não daria para te tirar dessa confusão." ela respira junto comigo e ficamos assim, próximos o suficiente para nossas respirações se entrelaçarem, e longe demais para que nenhum toque seja trocado.
A porta do carro abre.
Eu olho pra Rubi por um segundo.
“Vai ficar tudo bem”, digo.
Ela respira fundo.
“Eu sei.”
Assim que saímos, duas figuras avançam correndo.
“Rubi!”
“Riuk!”
Ravenna abraça a filha com força, Cameron me envolve num abraço apertado.
Por um instante, eu quase respiro.
Quase.
Mas aí eu o vejo.
Ragnar, meu pai.
Benjamin, o pai da Rubi, ao lado.
E Eron.
Meu irmão dá um passo à frente.
Meu lobo empurra tão forte que a magia explode nas minhas veias.
E o ar inteiro treme.

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