Rubi
Eu não sinto minhas pernas.
Acho que estou respirando, mas cada inspiração dói como vidro entrando no peito.
Olho para todos na sala e… vejo.
Vejo o estrago.
Vejo as mentiras ditas como proteção.
Vejo a confiança que nunca existiu.
Vejo o quanto eu e Riuk fomos esmagados por essa obsessão deles em controlar tudo.
E então eu desabo.
“Eu… não…” A voz some. “Eu não posso ficar aqui.”
Saio correndo antes que alguém tente me tocar.
Sinto Riuk atrás de mim.
Sinto o lobo dele avançar, pronto para me cercar, pronto para me carregar nos braços…
Mas alguém o segura.
E é melhor assim.
Eu não quero ninguém agora.
Não quero consolo.
Não quero promessas.
Eu só quero…
Que a dor pare.
Que essa humilhação suma.
Que essa vergonha queima minha pele desapareça.
Minha loba está encolhida. Dolorida. Pequena.
Ela se sente enganada.
Ela se sente… descartada.
Foi por isso que ela não apareceu antes. Não acreditavam em mim. E ela não podia aparecer sem o apoio irrestrito e incondicional de alguém.
Riuk me deu isso, mas ele está tão destruído quanto eu.
Eu podia ter sido feliz.
Nesse último ano, eu podia ter vivido ao lado de alguém que realmente me enxergava.
Que me valorizava.
Mas eles não pensaram nisso.
Ninguém pensou em mim.
Eu fui só um meio.
Uma ferramenta.
Um escudo emocional para manter Riuk seguro… mesmo que custasse minha liberdade, meu talento, minha vida inteira.
E pior?
Pior é saber que o Eron deixou claro durante meses e meses que eu era apenas “a menina sem lobo”.
A que não tinha destino.
A que não tinha valor suficiente.
Chego ao jardim e me escondo debaixo da primeira árvore que encontro.
Me enrolo no chão, abraçando os joelhos, e deixo as lágrimas caírem em silêncio, até não dar mais.
Eu choro por tudo.
Pelo que vivi.
Pelo que perdi.
Pelo que está acontecendo agora.
E porque não sei como… como me afastar do Riuk para que Atlas não venha atrás dele.
Como eu faço isso?
Como fico longe dele… se é nele que eu respiro?
Eron está certo.
Eron sempre amou os irmãos.
Sempre fez tudo por eles.
Eu entendo o que ele fez.
Eu entendo o motivo.
Mas isso não significa que eu perdoo.
Uma mão quente toca meu ombro.
“Rubi.”
É a Libby.
Quando me viro, ela me puxa para um abraço tão forte, tão protetor, tão dela, que eu quebro de novo, ainda mais.


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