Rubi
Libby levanta as duas telas ao mesmo tempo e, naquele segundo, o mundo inteiro que eu construí nos últimos meses desaba de uma vez.
Na minha foto, aquela imagem borrada que me perseguiu como um fantasma, que me fez chorar até secar, que me fez acreditar que eu tinha sido trocada por qualquer uma, agora parece ridícula diante da foto nítida que ela segura. É o Eron. O mesmo braço, o mesmo gesto carinhoso, o mesmo beijo na cabeça, mas de frente, perfeitamente visível, e a “loira misteriosa” é… ela mesma. A Libby. No aniversário dela. Dias antes do nosso casamento.
O ar some dos meus pulmões, o chão inclina debaixo dos meus pés, e eu sinto um vazio tão grande que quase me engole inteira.
Riuk me segura pela cintura antes que eu caia, o braço firme me ancorando contra o peito dele, e deu o seguro com força, porque nesse exato momento ele é a única coisa que me impede de me desfazer no chão.
Libby começa a rir, aquele riso nervoso de quem acabou de perceber o tamanho do estrago.
“Rubi, amor, respira… isso é tão absurdo…”
“PARA!”
O grito sai junto com um rosnado que não é humano, que ecoa pelo jardim inteiro, que faz as árvores tremerem e os pássaros voarem assustados.
E eu sinto ela.
Sinto a loba rasgando tudo por dentro, subindo pela garganta, queimando atrás dos olhos, arranhando as palmas das minhas mãos com garras que querem sair agora.
Meus dentes doem. Minha pele arde. O cheiro de todos muda de repente: medo, choque, reverência.
Porque agora eles sentem.
O meu cheiro.
Finalmente livre.
Dou um passo à frente, e o chão parece vibrar sob meus pés.
Olho direto pra Eron, e o ódio que sobe é tão puro, tão antigo, que quase me cega.
“Você sabia,” minha voz sai baixa, perigosa, carregada de um rosnado que não controlo mais. “Você viu aquela foto. Você me deixou acreditar que tinha me traído. Me deixou me destruir por dentro. Me deixou fugir. Me deixou sangrar meses inteiros enquanto você ficava aqui, fazendo seu joguinho."
“Rubi, eu juro que só percebi agora...”
“MENTIRA!”
O rugido sai tão alto que até eu me assusto com o poder dele.
Meus olhos mudam. Eu vejo tudo mais nítido, mais vivo, mais cruel. Vejo o medo estampado no rosto do Eron, vejo o choque no da Libby.
"Como...?" Libby questiona, olhando de mim para Riuk.
"Pelo que vejo agora, ela precisava do apoio certo." Ele diz, ainda tentando manter meu controle, fazendo a influência dele se estender em minha loba, mas isso não a acalma.
Minha loba avança por mim, toma a frente, e eu deixo.
“Você queria proteger o Riuk?” continuo, cada palavra um corte. “Então usou a minha vida como escudo. Me humilhou na frente de todo mundo. Me fez acreditar que eu não valia nada, que eu era só a esposa troféu sem lobo, a que nunca ia ser suficiente pra ninguém.”


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