Rubi
Paro ao lado do Riuk na frente da mansão. A construção parece enorme, imponente, iluminada como sempre esteve, mas agora tudo é diferente. Eu vejo cada detalhe das pedras, cada reflexo nas janelas, cada cheiro que sai pelas frestas.
Riuk vira o focinho pra mim.
“Quer que eu vá na frente, pequena?”
Eu engulo em seco. Minha loba treme inteira.
“Quero.”
Ele encosta o ombro no meu, um toque firme, seguro.
“Vai ficar tudo bem. Eles vão ficar felizes por te ver assim. Eu prometo.” O olhar dele escurece. “Depois fugimos pro quarto…”
"E sue quarto é aprova de som, por acaso? Ou se esqueceu que estamos em sua casa, com os lobos mais fortes de nossa geração. Todos com audições bem sensíveis." ele ronrona e se aproxima.
"Sensível como quando eu te toco, você quer dizer." e eu tremo de expectativa. Minha loba quer pular logo para essa parte."
Ele abana o rabo, rindo daquele jeito de lobo que faz meu coração dar cambalhota.
“E sobre o quarto… sim, é à prova de som,” diz, malicioso. “Mas hoje eu não vou te tomar. Hoje é só banho quente, massagem e dormir agarrado. Amanhã… aí a gente vê como seu corpo vai estar.”
Eu finjo decepção, mostrando os dentes.
“Que crueldade.”
Ele ri de novo, lambe meu focinho rápido.
“Te vejo lá dentro, minha loba.”
E entra.
Eu fico ali, sozinha, ouvindo tudo.
A voz grave dele ecoando pelo hall:
“Todos pra sala de jantar. Agora.”
Primos perguntam confusos:
“Por que você tá como lobo, Riuk?”
“Fiquem quietos e vão.”
Minha mãe, agitada:
“Onde tá a Rubi? Cadê minha filha?”
Meu pai, preocupado:
“Ela tá bem?”
É surreal ouvir tudo isso estando tão longe, escondida atrás das árvores, e ainda assim sentir cada palavra como se estivessem gritando no meu ouvido.
Respiro fundo três vezes.
Minhas patas tremem.
Então começo a andar.
Passo a passo, lenta, sentindo o cascalho sob as almofadas das patas, depois o mármore frio da entrada.
No segundo em que minha pata toca o porcelanato, o silêncio cai como uma cortina.
Sinto o cheiro da apreensão. Sinto o cheiro da expectativa. E sinto, forte, quente, inconfundível, o cheiro do meu macho me esperando.
Caminho devagar, a cauda baixa, tentando acalmar a revolução de emoções dentro de mim.
Paro exatamente na porta da sala de jantar.
Um segundo. Dois.
E entro.
Todos os olhares se viram pra mim ao mesmo tempo.
Riuk está sentado como um segurança ao lado da porta, o peito estufado de orgulho, os olhos brilhando.
Eu paro no centro.
Minha mãe é a primeira a se mover.
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