Riuk
Meu pai levanta a mão e a sala inteira se cala na hora.
“Todos, se acalmem.” A voz dele é firme, mas tem um brilho de orgulho. “É perfeito que a Rubi tenha se transformado. A família inteira está feliz por isso. Hoje não é hora de discutir quem fica com quem, nem pra onde cada um vai. Hoje é hora de comemorar.”
Ele se vira pra nós dois.
“Vocês dois, subam, se troquem e desçam pro jantar. Vou pedir algo especial.”
Eu ainda encaro Eron com vontade de arrancar a garganta dele. Não confio. Não consigo confiar. E isso me corrói por dentro. Porque antes eu confiaria cegamente nele.
Ragnar percebe.
“Riuk.” O tom é de ordem. “Vai. Mostra pra Rubi o quarto que ela vai ficar. Vamos esperar por vocês.”
Ravenna sorri, emocionada.
“Filha, eu trouxe roupas para você. Amanhã a gente pode sair pra comprar mais coisinhas antes do evento e da caçada.”
Eu rosno baixo.
Mais isso. Com tudo acontecendo, tinha me esquecido dessa merda.
Mas sinto o azul subindo pelos braços, a magia querendo explodir de novo, e sei que o melhor é me afastar.
“Vem, pequena.”
Rubi me segue, a cauda balançando de leve, ainda meio tímida com tanto olhar em cima dela.
Subimos as escadas em silêncio, o som das patas dela no chão de madeira é a coisa mais linda que já ouvi. Meu lobo está tão empolgado que tenho que controlá-lo ou logo ele estará em cima dela, literalmente.
Quando chegamos ao segundo andar, ela fala, meio decepcionada:
“Acho que nosso plano de dormir agarradinhos não vai rolar.”
Eu paro, viro pra ela, e inclino a cabeça de lado.
“E quem disse que vamos dormir separados? Só se você quiser isso, mas saiba que no meio da noite vou invadir seu quarto e te agarrar mesmo assim.” Ela dá risada.
Chego no quarto que separaram pra ela, empurro a porta, entro e me transformo num piscar de olhos.
Fico nu na frente dela, sem a menor cerimônia.
Ela fica olhando, os olhos dourados arregalados, o focinho tremendo de vontade.
Eu sei o que ela quer.
E eu quero muito mais.
Mas hoje não.
Pego as coisas dela, uma mala cheia de roupas e produtos de higiene pessoal e saio do quarto como se fosse a coisa mais natural do mundo.
“Volte a andar, loba. Se continuar me olhando assim, vou começar a repensar a ideia de te pegar hoje."
"Então continue reconsiderando, por que eu estou achando que minha loba aflorou outras coias também." Ela ronrona, safada. “Então continue repensando, porque minha loba aflorou outras coisas também.”
Meu lobo responde na hora. Quase perco o controle ali no corredor.
Ela me segue, abanando o rabo, rindo mentalmente.
Eu abro a porta do meu quarto, deixo ela entrar primeiro, coloco as coisas dela na poltrona ao lado da cama.
Não mudou nada, é como se eu nunca tivesse ido embora. Como se os dias só se passaram em minha vida, mas aqui tivesse continuado como sempre esteve.
Chacoalho a cabeça afastando esses pensamentos e me sento no chão, de pernas cruzadas, e bato no espaço na minha frente.
“Agora é a sua vez, volta a ser a humana gostosa que me deixa louco.” sorriu de lado.
Ela se aproxima, hesitante.
“Você faz parecer tão fácil…”
Eu acaricio o pelo do pescoço dela, devagar, com todo o carinho do mundo.
“Pra mim é, porque faço isso desde os treze. Mas não dá para ser loba para sempre.”
Ela recua um passo, as orelhas baixando.
“E se eu não conseguir? E se doer muito?”
Eu pego o focinho dela com as duas mãos, forço ela a me olhar.

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