Riuk
Eron e eu estamos lado a lado na varanda, olhando o jardim como se fosse a coisa mais normal do mundo. Mas não é. Nada é normal desde que eu voltei.
Ainda mais que a nossa frente está o motivo de nossas conversas por anos.
Como se um ano inteiro não tivesse se passado desde a última vez que nós dois fizemos o mesmo. Observar as duas como espectadores da vida delas.
Eu quebro o silêncio primeiro.
“Quando você vai contar pra ela?”
Ele não se mexe. Só bebe o uísque, olhos fixos na Libby e na Rubi conversando lá embaixo.
“As duas mulheres que sempre tiraram nosso eixo do lugar,” digo, baixo.
Ele ri, amargo.
“Não é por que deu certo pra você, que vai dar certo para mim."
"Deveria arriscar, a sensação é incrível." ele me olha por um segundo.
“Não posso,” responde, seco. “Não enquanto o que eu comecei não terminar. Já basta você vulnerável com a Rubi. Eu não posso.”
Eu rio, incrédulo.
“Vamos supor, só supor… que a Libby seja sequestrada por algum idiota qualquer. Só por ser a empresária foda que enfrenta tubarão todo dia. Isso te faria correr atrás dela, certo? Mesmo ela sendo só sua ‘tia’.”
Faço aspas com os dedos. Porque a gente nunca considerou ela tia de verdade. Quando a Cam nos adotou, a gente já tinha dez anos. Libby era a última filha dos Reynolds, 20 anos mais nova que o irmão mais velho. Sempre fomos iguais.
Ele vira o copo inteiro de uma vez.
“Claro que eu iria atrás dos filhos da puta. Faria isso por qualquer um da família.”
Coloco as mãos no bolso, mordo o lábio.
“E se ela aparecer com lobo? Ou com humano? Você conseguiria ver?”
Ele se vira pra mim, feroz, olhos escuros faiscando.
Eu sorrio de lado.
“Pois é. Foi o que aconteceu comigo. Eu não consegui ver e fugi. Mas você não tem essa opção, irmão. Talvez devesse superar seu trauma dos 13 anos, e sei lá, beijar a garota.”
"Cala a boca."
Dou um passo pra frente.
“Você tá deixando o tempo passar demais. E ela não é loba que aceita esperar. Logo ela se cansa desse seu joguinho e arranja alguém que esteja ao lado dela. E assim você fica com o trono… e sozinho.”
Ele rosna, o copo estala na mão dele.
“Você não sabe de nada.”
“Não mesmo,” retruco, voz fria. “Você não me conta mais. Preferiu foder com a minha mente e com a da minha loba só pra me ‘proteger’. Mas olha só: não é a primeira vez que enfrento um feiticeiro filho da puta. E agora eu tenho uma motivação maior que apenas sobreviver.”
Me afasto. Não adianta. Eron é cabeça-dura demais pra admitir que, em algum momento, todos nós somos vulneráveis.
Desço os degraus. O brilho da Rubi me puxa como sempre. Quero ser mais forte pra que ela nunca mais chore.
Caminho observando a forma alegra que ela se move, e quando me vê, é como se o ar voltasse aos meus pulmões.
Ela me abraça assim que chego perto.
Sussurro no ouvido dela:
“Acho que é hora de descansar. Amanhã tem mais obrigação de alcateia.”
"Temos mesmo que ir? Não quero ter que ficar ouvindo aquelas garotas sobre como eu sou..."
"Ei, você não é mais, lembra? Agora você é loba como todas elas."
"Exatamente, e eu vou estar lá também. Pedi para colocarem a gente no mesmo quarto." rosno irritado.
"Não gosto disso. Ela tinha que ficar comigo." falo.
"É uma reunião para solteiros, lembra? Teoricamente, vocês não têm nada oficial."
"Não por que eu não quero." resmungo e ela acaricia meu rosto.
Libby ergue a sobrancelha.

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