Eron
Eu a beijo como se o mundo estivesse acabando.
Não tem delicadeza, não tem permissão, não tem amanhã. Tem só fome acumulada de anos, de décadas, de uma vida inteira segurando o que eu não podia ter.
Ela agarra minha camisa, puxa com força, suas mãos se enfiando em minha nuca, e me trazendo para mais perto. Desesperada como eu.
Minha mão desce pra cintura dela, aperto, colo o corpo dela no meu. Ela arqueia, geme dentro da minha boca, e eu perco o resto de sanidade que ainda tinha.
Sem falar nada, eu a arrasto pro canto mais escuro da varanda, onde a luz da casa não alcança. Prendo ela na parede com meu corpo, uma mão na nuca, a outra na curva da cintura. Ela passa as unhas no meu pescoço, puxa meu cabelo, me beija mais fundo.
Não tem palavras. Só respiração pesada, dentes, língua, desejo queimando os dois por dentro há tanto tempo que já virou brasa.
Eu mordo o lábio inferior dela, ela solta um som rouco que vai direto pro meu pau. Minha mão desce mais um pouco, aperta a coxa dela por cima do vestido, levanta a perna dela na minha cintura.
A gente tá a segundos de eu rasgar esse tecido e tomar ela ali mesmo quando…
“ERON! O PAI TÁ TE CHAMANDO!”
A voz do Enoch corta o ar como sirene.
Eu rosno tão alto que a parede treme.
“Esse moleque tem um timing filho da puta.”
Libby solta uma gargalhada abafada contra meu peito, os lábios inchados, olhos brilhando de tesão e diversão.
Ela se afasta devagar, ajeitando o vestido, ainda ofegante.
“Vou dormir… antes que eu faça uma besteira.”
"Posso ir até seu quarto depois?" os olhos dela são incertos, os meus são certeiros.
"Eron... eu... ah.. foda-se... vem. Vou ficar te esperando."
E sai correndo, linda, cabelo voando, antes que o Enoch chegue.
Eu fico ali, encostado na parede, respirando como se tivesse corrido uma maratona, o corpo latejando de vontade de ir atrás.
Enoch aparece, farejando o ar como um cão curioso.
Para na minha frente, olhos arregalados.
“O que… tá acontecendo com vocês hoje? Desde quando vocês resolveram pegar as… deixa pra lá, NÃO QUERO SABER OS DETALHES!”
Eu rio, bagunço o cabelo dele com força, o puxando para debaixo do meu braço.
“Você é um pé no saco, sabia?”
“E você tá cheirando a sexo reprimido de vinte anos, sabia?”
Eu puxo ele pelo pescoço e vamos andando.
"Então seja esperto e não um trouxa como seus irmãos. Só vá atrás da garota e arrisque-se. Olha a merda que fizemos por não agir." Ele ri de novo e o solto.
Com letra firme. Sem hesitar.
"Acho que assim eles poderão voltar para casa."
"Depende de onde isso é. Pelo que fiquei sabendo, Riuk e Rubi estão com um projeto bem ambicioso em Sidney, talvez eles não queiram voltar." e aquilo é um golpe. Eu queria ele de volta em casa. Sinto falta de como é ter meu irmão aqui.
O golpe dói.
"Vou conversar com ele. Queria que ele ficasse como meu beta... esse sempre foi o plano."
"Planos mudam, filho." Meu pai fala pegando o papel e entregando para Ben.
"Bem sei disso. Se era apenas isso que precisavam de mim, vou dormir, pois amanhã será um longo dia." eles concordam e saiu, subindo os degraus de dois em dois e indo direto para o quarto onde Libby está, mas paro antes.
"Filho, está com algum problema?" Minha mãe estava saindo do quarto dela, e eu preciso pensar em algo rápido.
"Ah não, nada não, eu só queria ver se a Libby estava bem. Se precisava de algo."
"Vim conferir isso. Ela está bem, não se preocupe. Pode ir dormir. Ela está tomando banho e já vai descansar para amanhã. Você deveria fazer o mesmo."
"É, eu vou." me aproximo da minha mãe e beijo sua testa. "Boa noite dona Cam."
"Boa noite Eron."
faço o caminho de volta para o meu quarto que fica ao lado do de Riuk, e entro indo direto para o banho para tentar acalmar a tormenta que está dentro do meu peito.

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