Rubi
Chegamos no centro de treinamento da Alcateia Central e eu já sinto o estômago revirar.
Eu odeio esse lugar. Odeio o cheiro de pinho e superioridade, odeio as risadinhas disfarçadas, odeio lembrar de cada ano que entrei aqui como “a sem lobo dos Reynolds”. Aquele apelido que colava na minha pele mais que qualquer marca.
Mas hoje é diferente. Hoje eu tenho loba. Hoje eu chego de mãos dadas com Riuk Peyton, filho do Supremo. E, pensando bem, fui casada com o outro filho do Supremo por um ano. Isso pode ser uma vantagem… ou uma sentença de morte social.
Riuk aperta minha mão, sente a tensão.
“Vai ficar tudo bem, Pecado.”
“Du-vi-do.”
Ele beija meus nós dos dedos, rápido, só pra mim.
“Eu tô aqui. Ninguém encosta em você.”
Eron está na frente, cuidando da burocracia com aquela cara de “sou o futuro Supremo, abram espaço”. Quando o organizador avisa “filas separadas: homens à esquerda, mulheres à direita”, eu e Libby reviramos os olhos ao mesmo tempo.
Libby resmunga:
“Porque óbvio que não iam facilitar.”
Riuk me puxa pra um beijo rápido, mas profundo.
“Duas noites. Só duas. Depois eu te levo pra nossa casa em Sidney e voltamos a nossa vida normal.”
Eu rio contra a boca dele.
“Vou cobrar essa promessa.”
Libby dá um beijo estalado na bochecha do Eron, que fica surpreso e a encara, como se quisesse fazer mais que isso.
"Te vejo lá dentro." ele sorri de lado. "E meninos, se comportem por favor. Eron e Riuk não são um poço de paz como eu e a Rubi." os 4 se olham e depois começam a dar risada, deixando claro que vão infernizar a vida deles.
"Bom trabalho." sussurro.
E nós duas vamos pra fila das mulheres.
Os olhares começam antes mesmo de eu pisar na linha.
Cabelos perfeitos, corpos perfeitos, narizes empinados. Aquele cheiro coletivo de “você não pertence aqui” que eu conheço de cor.
Libby murmura sem mexer os lábios:
“Não se abale com isso. Elas não sabem que eles já tem donas.” ela pisca para mim.
“Qual a necessidade de serem tão filhas da puta?” sussurro de volta.
“É o esporte favorito delas.”
Chegamos no balcão, entrego meu documento.
A loba atrás do computador ergue a sobrancelha quando lê “Rubi Reynolds”.
"Você não era casada?" fala um pouco alto demais.
"Era, não sou mais, por isso estou aqui. Algum problema?" falo já sentindo minha loba querendo sair.
"Só preciso da confirmação para ajustar no seu cadastro."
"Claro, não para anunciar para todas as da fila." bufo.
Carimba com força demais.
“Quarto 312. Ala Feminina. Câmeras 24h. Boa sorte.”
Libby bufa do meu lado.
“Nunca que eles iam facilitar mesmo.”
Subimos. O quarto é bonito, mas parece cela de luxo: duas camas de solteiro, armário, banheiro, e umas dez câmeras vermelhas piscando no corredor.
Jogo minha mochila na cama da direita.
“Se eu ouvir um ‘o que a sem lobo tá fazendo aqui’ hoje, eu arranco garganta.”
Libby ri.


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