Eron
Chegamos em Denver no fim da tarde. O jato particular ainda tá taxiando quando vejo o pai na porta da garagem, braços cruzados, cara de quem vai matar alguém.
Ragnar Peyton não grita. Quando ele tá realmente puto, fica emudece. E hoje ele tá mudo.
Desço primeiro. Jogo minha mala no chão de qualquer jeito, pego a da Libby antes que ela precise carregar. Riuk faz o mesmo com a Rubi. Os meninos entram correndo, sentindo o clima.
Ragnar fala, voz baixa demais:
“Que porra vocês dois aprontaram pra eu receber ligação de conselheiro até às quatro da manhã?”
Eu dou de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
“Matamos uns quatro. Aleijamos mais uns cinco ou seis.”
Riuk para do meu lado, completa:
“O número pode subir se contar os que perderam alguns dentes no processo.”
Silêncio.
Depois Ragnar explode:
“VOCÊS ESTÃO LOUCOS? ERA PROIBIDO MORTE NESSE EVENTO!”
Eu rosno, baixo, perigoso:
“Eles não seguiram regra nenhuma, porra. Iam marcar a Rubi e a Libby à força. A gente só fez o que tinha que ser feito.”
Aí o resto da família percebe as marcas.
Ravenna dá um passo, tensa:
“Filha… o que vocês fizeram?”
Rubi levanta o queixo, mão no pescoço ainda sensível:
“Riuk me marcou. Eu quis. Ele não deixou ninguém encostar em mim.”
Cam olha pra irmã, olhos arregalados:
“Libby?”
Libby sorri de canto, puxa o cabelo pro lado, mostra a marca perfeita, ainda vermelha.
“Fui eu,” digo, sem desviar o olhar do meu pai. “E ela quis também.”
Choque geral.
Benjamin, pai da Rubi, rosna:
“Eu disse que essa caçada era uma merda. Agora as meninas estão marcadas e mal conhecem vocês dois!”
Riuk avança um passo, olhos faiscando:
“Ben, a gente se conhece desde sempre. Eu pedi a mão da Rubi. O que mais você quer?”
Benjamin retruca:
“Tempo. Cortesia. Não enfiar canino no pescoço da minha filha em público!”
Eu dou um passo à frente, voz gelada:
“Nós sabemos o peso disso. Por isso aceitamos o destino que a Deusa deu. Eu quis. Libby quis. Riuk e Rubi… nem precisa falar.”
Ragnar aponta a mansão:
“Vocês dois. Agora. Vamos ter uma conversa séria sobre o que vocês fizeram e como vamos remediar isso.”
“Vocês acabaram de transformar o conselho num circo. E colocaram alvo nas costas delas.”
Eu sorrio, sem humor.
“Ótimo. Porque agora qualquer um que olhar torto pra Rubi ou pra Libby vai ter que passar por mim e pelo Riuk primeiro. E de verdade, eu estou louco para arrancar mais algumas cabeças.”
Riuk dá um tapa no meu ombro.
"Espero que entenda, pai. Não tem mais volta para o que fizemos, e estamos vamos aceitar o que quer que seja a consequência. Mas o que não vamos tolerar, é qualquer um achar que pode tocar nelas e sair impune."
"Saiam da minha frete, eu tenho que pensar."
No corredor, Rubi e Libby estão de mãos dadas, tensas. Quando nos veem, correm.
Rubi se j**a nos braços do Riuk. Libby vem direto pra mim, abraça minha cintura, encosta o rosto marcado no meu peito.
“Foi muito feio?” ela pergunta baixinho.
Eu beijo a marca.
“Vai ser pior se alguém abrir a boca de novo.”
Riuk fala, voz firme:
“Não se preocupem com nada agora. Estamos no controle e temos os argumentos certos. E eu já sei como driblar o conselho.”
"Você sempre tem um plano." digo, sorrindo.
"E sua mãe também." Rubi fala e Libby se afasta de mim.
"O que ela quer?" questiono.
"Fazer a cerimônia de casamento amanhã. Para que todos tenham ciência do que acabamos de fazer."

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