Rubi
O jato aterrissa em Denver quando o céu já tá escuro. Eu desço com as pernas tremendo, Libby e meu pai atrás. O ar da noite tá frio, mas o que me corta é o cheiro.
Sangue. Sangue seco. Sangue dele.
Eu paro no meio da pista. O mundo gira.
Meu pai e Libby param do meu lado.
“Rubi…” Libby começa.
Mas nem espero, já tô correndo como se minha vida dependesse disso.
Corro como se o inferno estivesse nas minhas costas. Porque o cheiro é do Riuk. Eu reconheço esse cheiro melhor do que reconheço a mim mesma.
Atravesso o hangar particular, a grama, o caminho de pedra até a mansão. Meu coração tá na garganta, a loba uivando tão alto dentro de mim que quase sai pela boca.
A porta da frente tá aberta. Cam e Eron estão no hall, e percebo por seus rostos que tem algo muito errado.
Paro na frente deles, ofegante.
“Onde ele tá?”
Cam tenta falar:
“Rubi, calma querida…”
“ONDE ELE TÁ?!” grito toda a dor que está em meu peito.
Eron aponta o corredor, voz baixa:
“No quarto dele.”
Eu corro.
Passo pelas escadas de dois em dois, o cheiro ficando mais forte, mais metálico, mais errado.
A porta do quarto tá entreaberta. Eu empurro com tanta força que b**e na parede.
E lá tá ele.
Recostado nos travesseiros, olhos fechados, rosto pálido, braço esquerdo enfaixado até o ombro, cicatrizes novas cruzando o peito nu, sangue seco nas costelas.
Eu caio de joelhos ao lado da cama.
O choro vem tão forte que não consigo respirar.
“Riuk…”
Ele abre os olhos devagar. Verde-dourado, cansados, mas vivos.
“Oi, Pecado… você chegou fazendo bastante barulho.” ele tenta brincar com a situação. Mas eu não consigo ver humor em nada ali.
Eu agarro a mão dele, beijo os dedos, choro mais alto.
“O que fizeram com você… minha Deusa… o que fizeram com você, meu amor…”
Minha loba uiva, desesperada, querendo entrar nele, querer curar, querer proteger.
Ele acaricia meu rosto com a mão boa, voz rouca:
“Nada, amor. Só tô treinando pra ser bruxo.”
Eu fico paralisada.
“Você… o quê?”
Ele sorri, fraco.


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