Riuk
O mundo volta num estalo. Não tô mais no hangar. Tô num lugar que não existe.
Um deserto de sal preto sob um céu vermelho. Ar rarefeito, cheiro de sangue e ozônio. Minhas roupas sumiram. Só uma calça preta rasgada. Pés descalços no sal que queima como ácido.
Drevan tá a dez metros, capa esvoaçante, olhos violeta brilhando como faróis.
“Bem-vindo ao Vazio,” ele diz. “Aqui a magia não mente. Aqui você enfrenta o que realmente é.”
Eu rosno.
“Para de enrolar e me ensina a matar o Atlas.”
Ele ri.
“Primeiro você aprende a não morrer.”
Levanta a mão.
O chão treme. Uma onda de energia roxa vem na minha direção, rápida como um trem.
Tento desviar. Não consigo. A onda me pega no peito, me j**a dez metros pra trás. Caio de costas, o ar sai dos pulmões, sinto costelas trincarem.
A dor é branca, cegante.
Eu tusso sangue.
“Levanta,” Drevan diz, calmamente.
Eu me apoio nos cotovelos, ofegante.
“Você tá aqui pra me treinar ou para me matar? Acho que tem diferença nisso.”
“No Vazio você não morre, apenas sofre. Então levanta, antes que eu mostre como dói apagar no Vazio só para acordar, e descobrir como é começar tudo de novo.”
Eu levanto. Todo o meu corpo queima, além dos ossos que aparentemente estão quebrados.
Penso na Rubi. No jeito que agora ela me olha. Na forma como somos juntos. Em como vale a pena estar com ela a cada segundo.
Eu não posso desistir.
Eu corro pra ele.
Ele estala os dedos. O ar se solidifica. Minhas pernas travam no meio do caminho.
“Magia não é força bruta, filhote. É intenção. Pare de tentar agir como um lobo. Ele não vai te salvar aqui.”
Outra onda. Dessa vez me pega de lado, rasga a pele do braço. Sangue escorre quente.
Eu caio de joelhos.
“Porra…” fico zonzo com a dor lancinante.
“Você quer salvar sua Luna?” Drevan pergunta, voz fria. “Então para de lutar como lobo e começa a lutar como bruxo.”
Eu olho pra ele, olhos dourados faiscando.
“Me ensina.”
Ele sorri.
“Primeiro você aprende a sentir.”
Ele toca minha testa.
O mundo explode.
Mil vozes na minha cabeça. Memórias que não são minhas. Dor de gente que morreu há séculos. Medo. Ódio. Amor. Tudo ao mesmo tempo.
Eu grito. Caio de cara no sal.
“É o seu sangue,” ele diz. “Todo o sangue Hamotap que veio antes de você. Você carrega isso. E vai aprender a usar.”
Eu me arrasto, mãos sangrando.
“Eu não quero isso…”
“Não pediu pra nascer com isso,” ele corta. “Mas nasceu. Agora se quer se livrar de Atlas, aprende a lidar com ela. Seu sangue é sua melhor chance."
Eu penso na Rubi. No jeito que ela sorri quando acha que ninguém tá olhando. No jeito que ela me beijou antes de ir. No “eu te amo” que ela disse com lágrimas.


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