O relógio do escritório marcava quase três da tarde quando Cássio entrou sem bater, já com o blazer pendurado no ombro e o copo de café pela metade.
— Avisa quando for abrir uma cafeteria aqui dentro. — largou, encostando-se na estante ao lado da mesa de Dorian. — Porque do jeito que você anda animado, vai acabar distribuindo cappuccino pros funcionários.
Dorian nem ergueu os olhos da tela.
Estava debruçado sobre a planilha de RH, mas a atenção estava tão focada que até o ar parecia mais tenso ali.
— Caffè latte, no máximo — respondeu, sem ironia, mas com um leve puxar de canto de boca.
— Meu Deus, isso foi uma piada? Ele está melhorando — Cássio tomou um gole do café, balançando a cabeça. — Achei que depois da boca torta, só te veríamos feliz no Natal.
Dorian finalmente parou o que fazia, se encostando na cadeira com os braços cruzados.
— Estou a um passo, Cássio.
— Um passo de...?
— Encontrá-la.
Cássio arqueou a sobrancelha com uma expressão debochada.
— Ah não, lá vem. A mulher misteriosa. A dama de vermelho. A musa mascarada do baile de máscaras do CEO do século.
Dorian ignorou o tom de gozação.
— Eu tenho um nome. Preciso apenas confirmar se ela está ou não na lista de funcionários. E então...
— E então o quê? Vai pedir ela em casamento? — Cássio riu sozinho. — Ou você acha mesmo que ela vai manter o encanto depois que você descobrir que ela serve lasanha nos jantares comuns?
Dorian apenas encarou o colega. Frio. Inabalável.
— Eu preciso saber quem ela é. Depois disso, o resto eu resolvo.
Cássio balançou a cabeça com um sorriso de canto.
— Só cuidado, Dorian... às vezes a fantasia é mais fácil de amar do que a mulher real.
Dorian voltou os olhos para a tela do computador.
— E às vezes, Cássio, a mulher real é exatamente o que eu precisava.
Cássio riu outra vez, mas sem zombaria dessa vez.
— Pronto, agora sim, temos um capítulo digno de novela. Tô gostando de ver, Villeneuve. Se ela for metade do que você tá projetando... cê tá perdido.
A essa altura do dia, Dorian e Francine — a quilômetros de distância um do outro — compartilhavam a mesma ansiedade: falar com Denise.
Mas, dessa vez, a sorte estava com Francine.
Denise chegou à mansão no fim da tarde, exausta depois de um longo dia no hospital com o marido.
Os cabelos presos em um coque desfeito e a expressão cansada não conseguiam apagar a firmeza com que ela caminhava pela entrada lateral.
— Não, não, não! Espera! — colocou-se na frente da porta — Denise, por favor, meu emprego depende disso.
Denise apertou os olhos, o rosto sério como uma juíza em dia de sentença.
— Ou você me conta exatamente o que está acontecendo ou não precisa perder seu tempo. E nem desperdiçar o meu.
Francine suspirou fundo, como quem entregava a própria alma.
Trancou a porta atrás de si, encostou-se na parede da cabeceira da cama e começou a contar.
Falou sobre a máscara, o vestido, o plano maluco, o baile... e claro, sobre a dança com Dorian. A noite, o quarto, o bilhete. Tudo.
Quando terminou, Denise tapou a boca — não de choque, mas para conter uma gargalhada que ainda escapou pelas bordas.
— Então o Dorian está obcecado por você? — soltou, balançando a cabeça, incrédula. — Um milionário maluco por você e você está fugindo?
— Eu não estou interessada em ser a boneca de luxo de ninguém. — Francine se levantou, gesticulando com raiva e vergonha. — Também não quero que ele pense que eu estou atrás do dinheiro dele. Eu só quero manter meu emprego. E o meu orgulho.
Denise enfim parou de rir e bateu na cama indicando para Francine se sentar, com a expressão mais suave.
— Você não conhece o Dorian, Francine.
Francine cruzou os braços, desconfiada.
— E você conhece?

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