Otávio chegou à mansão como faria em qualquer outro dia.
Cumprimentou os colegas com um sorriso gentil, ajeitou a gola do uniforme e seguiu em direção à área de serviço.
Estava pronto para mais uma jornada tranquila — ou assim pensava.
— Otávio — chamou Denise do corredor, com aquele tom que só ela tinha. — O Sr. Dorian pediu que você o encontrasse no escritório assim que chegasse. Pode ir agora, por favor.
Otávio franziu o cenho, surpreso.
Raramente era chamado para falar com Dorian diretamente, ainda mais no escritório.
Mas apenas assentiu, ajeitou o uniforme e seguiu obediente.
Francine, que organizava a cristaleira da sala como se caçasse partículas invisíveis de poeira, virou-se a tempo de ver a porta do escritório de Dorian se fechar atrás de Otávio.
O pânico bateu como um trovão.
— Malu! — ela sussurrou alto, surgindo na cozinha como um furacão.
— Que surto é esse, mulher?
— Otávio está no escritório de Dorian!
— E...? — Malu arqueou uma sobrancelha, mastigando uma bolacha como se estivesse assistindo a um filme.
— E isso só pode significar uma coisa: ele me descobriu. É só questão de tempo até ele vir aqui me jogar na rua. Com malas e tudo!
— Francine, não viaja. Otávio é funcionário. Aposto que Dorian só quer falar com ele sobre alguma função ou mudança de turno...
— Malu, por favor! Dorian nem lembra que os funcionários existem! Ele só interage quando tem um motivo. E quem dá ordem é sempre a Denise — ela apontou para o teto, como se aquilo fosse uma verdade divina.
— Relaxa. É paranoia. Aposto que não é nada.
Francine suspirou fundo, já virando de costas.
— Pois eu aposto que é meu fim. Vou arrumar minhas malas.
Malu revirou os olhos, pegou mais uma bolacha e murmurou:
— E lá vamos nós de novo...
Otávio entrou no escritório com um sorriso educado, mas hesitante.
Não sabia o motivo do chamado, mas algo no clima pesado do ambiente deixou claro: não era coisa boa.
Dorian estava de pé, encostado na mesa, os braços cruzados e a expressão dura como mármore.
Seus olhos fixos em Otávio atravessavam qualquer tentativa de disfarce.
— Antes de começarmos, — disse Dorian, com a voz firme e pausada — você tem duas opções: responder apenas a verdade... ou procurar outro emprego.
Otávio congelou no meio do passo. Engoliu seco. O tom de voz não deixava espaço para dúvidas.
Dorian sabia. Não tudo, talvez — mas sabia o suficiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras