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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 29

Otávio chegou à mansão como faria em qualquer outro dia.

Cumprimentou os colegas com um sorriso gentil, ajeitou a gola do uniforme e seguiu em direção à área de serviço.

Estava pronto para mais uma jornada tranquila — ou assim pensava.

— Otávio — chamou Denise do corredor, com aquele tom que só ela tinha. — O Sr. Dorian pediu que você o encontrasse no escritório assim que chegasse. Pode ir agora, por favor.

Otávio franziu o cenho, surpreso.

Raramente era chamado para falar com Dorian diretamente, ainda mais no escritório.

Mas apenas assentiu, ajeitou o uniforme e seguiu obediente.

Francine, que organizava a cristaleira da sala como se caçasse partículas invisíveis de poeira, virou-se a tempo de ver a porta do escritório de Dorian se fechar atrás de Otávio.

O pânico bateu como um trovão.

— Malu! — ela sussurrou alto, surgindo na cozinha como um furacão.

— Que surto é esse, mulher?

— Otávio está no escritório de Dorian!

— E...? — Malu arqueou uma sobrancelha, mastigando uma bolacha como se estivesse assistindo a um filme.

— E isso só pode significar uma coisa: ele me descobriu. É só questão de tempo até ele vir aqui me jogar na rua. Com malas e tudo!

— Francine, não viaja. Otávio é funcionário. Aposto que Dorian só quer falar com ele sobre alguma função ou mudança de turno...

— Malu, por favor! Dorian nem lembra que os funcionários existem! Ele só interage quando tem um motivo. E quem dá ordem é sempre a Denise — ela apontou para o teto, como se aquilo fosse uma verdade divina.

— Relaxa. É paranoia. Aposto que não é nada.

Francine suspirou fundo, já virando de costas.

— Pois eu aposto que é meu fim. Vou arrumar minhas malas.

Malu revirou os olhos, pegou mais uma bolacha e murmurou:

— E lá vamos nós de novo...

Otávio entrou no escritório com um sorriso educado, mas hesitante.

Não sabia o motivo do chamado, mas algo no clima pesado do ambiente deixou claro: não era coisa boa.

Dorian estava de pé, encostado na mesa, os braços cruzados e a expressão dura como mármore.

Seus olhos fixos em Otávio atravessavam qualquer tentativa de disfarce.

— Antes de começarmos, — disse Dorian, com a voz firme e pausada — você tem duas opções: responder apenas a verdade... ou procurar outro emprego.

Otávio congelou no meio do passo. Engoliu seco. O tom de voz não deixava espaço para dúvidas.

Dorian sabia. Não tudo, talvez — mas sabia o suficiente.

Como ele sabia?

Engoliu seco e respondeu:

— Sim, senhor. Foi a Francine.

Dorian deu um passo para trás, descruzando os braços com um estalo de articulação.

Então era esse o nome… Francine…

Estava conectando os pontos. E não gostava do que via.

— Mas que diabos... — murmurou. — Como o nome dela não está na lista de funcionários?

Otávio parecia mais confuso do que assustado agora.

— Não sei te dizer, senhor. Ela trabalha aqui já tem bastante tempo. Tem uniforme, crachá e tudo. Se não está na lista, foi erro de alguém mais acima.

Dorian bufou e passou a mão pelo cabelo. A raiva não vinha mais da incerteza — vinha da certeza.

— Pode sair, Otávio.

— Sim, senhor.

Assim que a porta se fechou, Dorian permaneceu ali, estático por alguns segundos. Logo depois saiu da sala com os passos de um homem prestes a explodir.

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