A porta do escritório de Denise se escancarou com um baque, fazendo a governanta levantar os olhos calmamente, sem o menor susto.
— Eu quero a ficha de admissão da Francine. Com foto. Agora. — A voz dele veio firme, cortante.
Ela cruzou os braços devagar.
— Então você já descobriu…
— Por que você escondeu isso de mim?! — ele avançou até a mesa, batendo a mão com força sobre ela. — Você sabia o tempo todo!
— E você parecia tão empenhado em descobrir… achei que seria divertido ver você tentar mais um pouco. — respondeu, com aquele sorriso travesso nos lábios e a voz tranquila que só deixava tudo mais insuportável.
— Denise, que diabos! Eu confiei em você!
— E eu confiei que você usaria o cérebro. — rebateu, se levantando. — Mas quando começa a misturar desejo com orgulho, você se torna burro, Dorian. E eu não eduquei você pra isso.
— Você não tinha o direito de se meter!
— Eu sempre tive. Desde o dia em que você me trouxe para morar nessa casa e chorava escondido porque seus pais não lembravam do seu aniversário.
A voz dela agora era firme.
— Eu estive aqui antes de você se tornar esse homem frio. E vou continuar aqui enquanto puder impedir você de se perder de vez.
Dorian apertou a mandíbula, sem resposta. Denise concluiu:
— A ficha está no arquivo, gaveta superior. Pode pegar.
Ele hesitou, depois foi até a gaveta.
Abriu. Puxou a ficha. E lá estava.
A foto. O nome completo.
A confirmação que ele não precisava mais fingir que não sabia.
Fran Moreau na verdade era Francine Morais.
Ela era a mulher do vestido vermelho.
Dorian voltou para o quarto com a ficha de Francine nas mãos, mas dessa vez não estava com pressa.
Sentou-se na poltrona perto da janela, girando o documento entre os dedos enquanto observava o jardim lá fora.
Ela mexeu com ele. Mexeu mais do que ele queria admitir.
Não era só orgulho ou obsessão — era aquela maldita sensação de precisar vê-la de novo. De perto. Sabendo quem ela era.
Mas precisava de estratégia.
Se agisse como sempre agia, ela fugiria. E Dorian sabia que não suportaria mais vê-la desaparecer sem rastro.
Respirou fundo, se levantou, vestiu-se com calma e desceu para o almoço.
A sala de jantar estava em silêncio, como sempre.
Assim que atravessou a porta, Malu já estava ali, de braços cruzados, encostada no balcão com aquele sorrisinho afiado no rosto.
— E aí, ele te demitiu?
Francine bufou, largando os talheres com mais força do que devia sobre a pia.
— Ele não falou uma palavra sequer.
— Então ele não descobriu? — Malu ergueu uma sobrancelha, desconfiada.
— Sei lá! — Francine quase gritou, passando as mãos pelo rosto. — Ele ficou me olhando. Tipo… me olhando. Mas não disse nada. Nem bom dia. Só ficou lá, comendo como se tivesse ganhado na loteria.
— Ihh, amiga… se ele tava com essa cara, então já era. — Malu deu a volta no balcão e cutucou o braço dela. — Ou já sabe, ou tá prestes a descobrir. E se não falou nada, é porque tá arquitetando alguma coisa.
— Ótimo. Mais um motivo pra eu ter uma úlcera antes dos trinta. — Francine apoiou-se no balcão, tentando desacelerar a respiração.
Malu sorriu.
— Pelo menos você ainda tem um emprego. Por enquanto.
Francine jogou um pano de prato na cara dela.
— Malu, pelo amor de Deus!
Após o almoço, Dorian atravessou o saguão da mansão com passos firmes.Ao encontrar com Denise, parou ao lado dela, sem rodeios.
— Denise. Mande a Francine ao meu escritório. Agora.

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