Francine estava de frente para o espelho, tentando decidir entre um batom ousado ou um discreto — e falhando miseravelmente em ignorar o frio na barriga.
As roupas estavam espalhadas pela cama, como se nenhuma peça fosse boa o bastante para o que estava prestes a acontecer.
Atrás dela, Malu observava com os braços cruzados e a sobrancelha arqueada.
— Então você vai mesmo faltar ao trabalho pra ir a esse evento?
— Claro! — Francine respondeu, com o olhar firme e o delineador quase pronto. — O que é um dia de trabalho comparado com a oportunidade da vida?
Malu bufou, jogando uma almofada de leve no chão ao se jogar sobre a cama.
— Mas que desculpa você vai dar se o senhor Dorian descobrir? Você sabe como ele é rígido. E imprevisível. E… bonito demais pra alguém que dá tanto medo.
Francine riu, ajeitando o cabelo com mais determinação do que técnica.
— Malu, um problema de cada vez. Agora eu só quero passar nessa peneira.
Ela se virou, segurando um par de saltos como quem empunhava uma arma.
— E se eu passar… ninguém mais me segura.
Malu apoiou o queixo nas mãos, sorrindo com um misto de admiração e medo pela amiga.
— Você é maluca, Francine.
— Maluca com propósito, querida. A melhor espécie.
Francine se virou para calçar os sapatos, tentando não tremer de ansiedade.
Malu ficou em silêncio por alguns segundos, observando cada movimento da amiga como quem assiste ao início de um salto sem paraquedas.
— Fran…
Ela levantou os olhos, já esperando mais um sermão.
Mas Malu apenas abriu os braços.
— Vem cá. Boa sorte, sua maluca.
Foi quando viu um pequeno fluxo de garotas andando na mesma direção — muitas com pastas nas mãos, outras acompanhadas por alguém, e quase todas mais arrumadas do que o comum.
Francine observou o grupo com um sorriso de canto.
Altas, elegantes, algumas com maquiagem impecável, outras claramente nervosas. Mas ela não sentiu nem um pingo de insegurança.
“Talento a gente não veste. Nasce com ele.”
Seguiu o fluxo com passos firmes, os cabelos soltos balançando a cada movimento.
O look que escolheu era discreto na medida, mas realçava exatamente o que precisava. No olhar? A certeza de que aquele lugar era dela.
Passou por uma das vitrines e viu o próprio reflexo. Parou por um segundo.
— Pronta — murmurou para si mesma.
Mas antes que pudesse dar mais um passo, uma figura, a poucos metros dali, surgiu em seu campo de visão. Casual, mas inconfundível.
— Dorian?!

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