Quando as inscrições foram encerradas o salão já estava lotado.
Pais, amigos, fotógrafos, olheiros disfarçados entre a plateia, e até curiosos que se aglomeravam pelos corredores do Lumine Mall para espiar o desfile amador que prometia revelar o novo rosto da Montblanc.
Francine ajeitou os ombros. A postura reta. O queixo levemente erguido. Como se usasse uma coroa invisível.
Ao redor, outras garotas cochichavam nervosas. Algumas arrumavam o cabelo compulsivamente. Outras prendiam a respiração a cada nome chamado no microfone.
Francine, não.
Ela respirava fundo, firme, com o tipo de segurança que não se aprende, se nasce com ela.
Vestia exatamente o que o regulamento pedia: uma camiseta branca básica, colada ao corpo, e uma calça jeans skinny que moldava suas curvas com perfeição. Nos pés, um salto preto simples, mas preciso. A maquiagem era quase imperceptível, e o cabelo solto caía em ondas naturais sobre os ombros.
E naquele instante, ela parecia ter sido feita sob medida para o centro das atenções.
Do outro lado, Dorian havia deixado a arquibancada silenciosamente. Caminhou até um ponto mais afastado, atrás de uma divisória decorativa, onde poderia observar sem ser observado.
Ali, com o celular em uma das mãos e uma prancheta na outra, parte do teatro montado para justificar sua presença, ele avaliava cada uma das modelos que subia à passarela.
Mas seus olhos buscavam apenas uma.
A voz do apresentador ecoou pelo ambiente, anunciando:
— Número vinte e sete... Francine Morais!
Dorian encostou o corpo na parede, o sorriso já subindo nos lábios, como se acabasse de vencer uma aposta consigo mesmo.
Francine se levantou sem pressa.
Um burburinho suave percorreu as cadeiras mais próximas da passarela.
Muitos dos presentes não sabiam exatamente por quê, talvez fosse o timbre do nome, talvez a segurança com que ela se levantou da cadeira, mas alguma coisa naquela candidata parecia diferente desde o primeiro passo.

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