Francine naquele momento se esqueceu completamente de que ele era seu chefe.
— Oi nada! — ela disparou, ainda com os olhos brilhando de raiva. — Você diz pra eu ir atrás do meu sonho, e depois me dá uma rasteira dessas?
Dorian soltou um riso leve, como se estivesse assistindo um espetáculo exclusivo.
— Você fica maravilhosa quando tá irritada. — Ele falou isso num tom quase íntimo, esticando a mão para tirar uma mecha do cabelo dela que havia escapado e caído no rosto.
Francine recuou, esbaforida.
— Tira a mão de mim! — O olhar dela era um raio. — Você não tinha esse direito, Dorian, que droga!
— Você não devia estar trabalhando hoje? — ele devolveu, com o ar mais cínico e calmo possível.
Ela ficou em silêncio por um segundo. Só um segundo. Porque logo o sangue ferveu de novo.
— Ahhhh, então é por isso? É por isso que está me punindo?! — Os olhos dela faiscavam. — Pois quando você chegar em casa, não vai ser um bilhete no seu travesseiro que vou deixar, e sim a minha carta de demissão!
Dorian encolheu os ombros, como se ela tivesse falado que ia sair pra comprar pão.
— Se acalma, Francine. Por que está tão brava? Eu só estou fazendo o melhor pra você.
— Vá pro inferno com a sua boa ação! — Ela virou de costas, bufando, pisando forte, o corpo inteiro em combustão.
Ele ficou ali parado, assistindo a cena como quem assiste o fogo se espalhar em câmera lenta. Um sorriso se formando, enviesado, perigoso.
“Ela ainda não entendeu que comigo... ou é meu, ou vai ser meu. É só questão de tempo.”
Francine saiu do shopping como quem fugia de um incêndio, os passos apressados, o rosto quente demais pro clima daquela tarde.
Nem olhou pra trás.
Se o fizesse, veria que Dorian continuava no mesmo lugar, imóvel, observando sua silhueta desaparecer entre as pessoas, com um meio sorriso de quem já tinha lido o final da história — e gostado.
Mas ele não a seguiu. Não dessa vez.
Quem a seguiu foi outro olhar.
Discreto, mas faminto.
Entre os transeuntes, um homem se destacava pela maneira como andava: rente às paredes, com os olhos presos nela como um imã que não sabia mais se afastar.
Era ele. O passado que Francine tinha enterrado — ou achava que tinha.
O ex.
O mesmo que ela deixou para trás quando decidiu mudar de vida, cortar laços e desaparecer.
Francine desceu devagar, já tirando os sapatos altos para aliviar os pés. Caminhou até o portão de pedestres e digitou o código.
Atrás dela, o táxi também parou.
O homem saiu como uma sombra que finalmente encontrou o alvo.
Antes que Francine pudesse abrir o portão, mãos fortes a agarraram pela cintura e a jogaram contra a parede fria da entrada.
Ela tentou gritar, mas uma das mãos dele já segurava seu rosto, forçando-a a olhar em seus olhos.
— Até que enfim te achei, gatinha.
O baque no coração veio antes da dor no ombro.
Francine congelou por um segundo, encarando aquele rosto que não via há anos. A última pessoa que queria reencontrar.
Ela arregalou os olhos, a voz falhando:
— Você...
Mas ele sorriu, e o sorriso não tinha nada de carinho.
— Sentiu minha falta?

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