Francine travou por um segundo ao encarar aquele rosto do passado, mas a raiva acumulada dos últimos minutos encontrou um novo alvo.
— Tira as mãos de mim, sua peste! — ela gritou, empurrando-o com as duas mãos. — Desgraçado! Infeliz! Como é que você tem a cara de pau de aparecer aqui?!
— Francine… — ele deu um passo, como se estivesse se divertindo com a reação dela. — Não achei que fosse me receber com tanta saudade assim.
— Eu mandei você sumir da minha vida! SUMIR! — Ela apontava o dedo no peito dele, a voz ganhando cada vez mais força, descontrolada. — E agora me aparece feito uma praga?
— Ah, Francine… — ele riu, aquele riso debochado que ela conhecia bem. — Eu sei que você não vive sem mim. Apesar que devo admitir… — os olhos dele vasculharam a fachada da mansão atrás dela — … você deve estar muito bem, se está morando aqui. Subiu de vida, hein?
— Eu não te devo satisfação da minha vida! — ela retrucou com firmeza, já bufando.
Num gesto rápido, ele agarrou o rosto dela com força, os dedos apertando o queixo e a bochecha como se quisesse marcar território.
— É claro que deve — disse, com um sussurro ameaçador. — Eu sou o amor da sua vida. Não se lembra?
Francine tentou se desvencilhar, o coração acelerado, mas antes que pudesse gritar outra vez, uma voz masculina se aproximou, grave e firme:
— Está tudo bem, Francine?
Otávio. O segurança da mansão. Vinha da lateral, onde fazia ronda noturna. Já estava com o portão entreaberto e a mão discretamente na arma, ainda no coldre.
Francine não hesitou:
— Não. Não está. Tem um sanguessuga me incomodando aqui. — Ela cuspiu as palavras como veneno, olhando fixamente para o ex.
Otávio entendeu imediatamente.
— Então vamos resolver isso. — E empurrou o portão de vez, abrindo caminho para ela passar.
Francine se afastou num movimento rápido, livrando-se da mão dele no rosto.
Agora, era ela quem encarava. Sem medo.
— Sai da minha frente, antes que eu termine de perder o pouco de paciência que me resta.
Otávio deu um passo firme à frente, o olhar endurecido, corpo ereto como uma parede.
— Se afasta dela agora — ordenou, com a voz carregada de autoridade. — Ou eu vou te afastar.

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