As duas se entreolharam, e Francine suspirou como quem precisava de um banho de sal grosso.
— Vamos pedir a conta antes que mais algum milionário tente comprar a nossa dignidade — ela resmungou, levantando a mão para chamar o garçom.
Mas o rapaz se adiantou, já se aproximando com um sorriso.
— Senhoritas, o almoço já foi pago. O cavalheiro que estava com vocês pediu para avisar.
Francine fechou os olhos por um segundo e murmurou:
— Óbvio.
Malu deu uma cotovelada leve nela, rindo:
— Disso você não vai reclamar, né, Fran?
Francine ajeitou a bolsa no ombro, ainda com aquele peso simbólico do AirTag escondido no forro.
Malu caminhava ao lado, em ritmo leve, como se estivessem apenas curtindo uma tarde comum.
— Bom, pelo menos economizei no almoço — Francine comentou, olhando para o céu e tentando ignorar o rastreamento passivo-agressivo. — Esse dinheiro vai direto pro cofrinho da Paris Fashion Week.
Malu arregalou os olhos, fingindo indignação:
— Nossa, nem um presentinho de agradecimento pro homem? Ele te ajudou a descobrir o AirTag!
Francine bufou.
— Eu, hein? Ele é milionário, Malu. Não precisa de nada que eu possa dar.
Malu estreitou os olhos e soltou um sorriso malicioso:
— Ahhhh, tem uma coisa que você pode dar, ele quer, e o dinheiro dele não pode comprar…
— Malu!!!
— Que foi? Só tô dizendo o óbvio!
As duas caíram na gargalhada no meio da calçada, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam.
Caminhavam pela rua movimentada com sacolas nos braços e óculos escuros no rosto — duas personagens à parte no cenário ensolarado da cidade.
— Entra nessa loja comigo? Quero ver se acho um blazer pro evento de quinta. — Malu puxou Francine pelo braço antes que ela inventasse uma desculpa.
— Só se você me prometer que não vai me obrigar a experimentar nada rosa.
Lá dentro, entre araras lotadas e vendedoras sorridentes, elas caminhavam lentamente, fingindo olhar os cabides, mas o assunto ainda era o mesmo.
— E então? Vai fazer o quê com o AirTag? — Malu perguntou, enquanto comparava dois blazers de alfaiataria.

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