Dorian caminhou até a bandeja de frutas e pegou uma pêra, sem a menor intenção de comê-la. Era só uma desculpa para ocupar as mãos enquanto observava Francine.
E foi ali, com a fruta esquecida na palma, que ele percebeu: ela não ia aceitar.
O olhar desconfiado, o corpo tenso, a maneira como mantinha distância da sacola — tudo gritava que, em poucos segundos, ela daria meia-volta com uma resposta ácida na ponta da língua.
— Uma modelo precisa de boas fotos, não precisa? — disse ele, tentando suavizar o tom. — E um bom celular ajuda muito.
Francine apertou os lábios para conter a resposta automática, mas não conteve a imagem que surgiu de repente na cabeça.
Ela em Paris, com aquele celular novinho nas mãos, virando o rosto para a câmera com a Torre Eiffel ao fundo e a luz dourada do entardecer pegando exatamente seu melhor ângulo. Postagens com filtro zero, patrocinadores implorando por stories…
Ela piscou, espantando a cena como quem afasta uma tentação.
— Falou o homem que boicotou meu desfile — retrucou, com um sorrisinho enviesado.
Dorian soltou um suspiro, tentando não sorrir.
— Já falei que estava fazendo o melhor por você. Confia em mim.
Francine cruzou os braços, inclinando o quadril com aquele ar de “sei muito bem o que você está tentando fazer”.
— Você só diz isso porque sabe que fez algo imperdoável.
— Então me perdoa de uma vez — retrucou ele, aproximando-se devagar, sem tirar os olhos dela. — Me perdoa e aceita o celular.
Ela desviou o olhar por um segundo, como se o peso das palavras tivesse caído mais fundo do que gostaria.
Depois encarou de novo, firme, o queixo levemente erguido.
— Isso aqui não muda nada, Dorian. Não me compra, não me convence.
— Eu sei. Mas também não é pra isso. É só… — ele parou, procurando as palavras certas — um gesto. Um começo.
Francine mordeu o lábio, lutando contra um sorriso que ameaçava escapar.
E dessa vez não foi Paris que veio à mente, nem desfiles ou patrocinadores. Foi ele. A forma como dizia que ela importava. O jeito torto, imperfeito e ainda assim honesto com que tentava fazer as pazes com o próprio coração.
Ela pegou a sacola da mesa, devagar.
— Tá bom. Mas se o celular explodir, a culpa vai ser toda sua.
— Vai ser só mais uma desculpa pra eu correr até você — respondeu ele, dando um passo para trás com um sorriso satisfeito.
Francine balançou a cabeça, ainda com aquele sorrisinho cético que ela insistia em esconder.
— Obrigada, senhor Dorian.
— É só Dorian, Francine.

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