Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 73

Após comermos e jogarmos conversa fora, era hora de ir. Estava feliz por não trabalhar na clínica aos sábados, em compensação, voltei a fazer meus lacinhos e os vendia no centro da cidade nos meus dias de folga. O telefone de Rafa tocou enquanto íamos saindo.

— Tudo bem, eu só vou levar uma amiga em casa e passo aí. — Falava para a outra pessoa do outro lado da linha.

— Aconteceu algo, Rafa? — Tácio perguntou preocupado.

— Minha professora disse que tem algo pendente no meu TCC, e pediu que eu fosse lá imediatamente.

— Então vá, não se preocupe, eu levo a Aurora em casa.

Rafa se despediu de nós. E eu entrei no carro do Tácio. Me senti totalmente sem jeito. Quando a Rafaela estava junto, a nossa conversa rendia, mas quando era só nós dois, não saía muita coisa.

— Quer ir a algum lugar? — Perguntou, enquanto colocava o cinto de segurança e ligava o carro.

— Não, pode me deixar em minha casa mesmo.

— Tem certeza? A cidade é tão grande e ainda é cedo, aposto que não a conhece totalmente.

— Ainda não, estou conhecendo gradualmente com a Rafa, e às vezes sozinha mesmo.

— Já foi ao mirante?

— A Rafa me falou desse lugar, mas ainda não fomos, disse que lá é muito lindo.

— Muito lindo mesmo, inclusive a noite, você consegue ver toda a cidade, e o mar.

— Deve ser lindo mesmo.

— Vamos lá? Hoje é sexta, você não irá trabalhar amanhã, não precisa dormir tão cedo.

Mal ele sabia que eu trabalhava aos sábados também, e praticamente o dia todo.

— Não sei se é uma boa ideia, a gente pode marcar de ir com a Rafa num outro dia?

— Tudo bem, nós iremos com ela outro dia, mas hoje, iremos só nós dois.

Eu não sabia mais o que falar, Tácio era muito educado e não havia maldade em suas palavras ou atitudes, mas me sentia muito mal, fazendo algo com ele sem a Rafa por perto, ainda mais agora, sabendo o que ela sentia por ele.

Após dirigir por uns quarenta minutos, chegamos ao mirante e realmente, tudo que se falava do lugar era verdade. As luzes da cidade eram lindas e logo após, o mar, que estava sendo iluminado pela lua cheia. Aquela cena dava, àquela vista, um cenário romântico. Ao ver o mar, me lembrei de Oliver e de quando me levou para conhecê-lo. Eu daria tudo para estar com ele nesse exato momento.

— O que achou? — A voz de Tácio me tirou de meus devaneios.

— É perfeito.

— Igual a você.

As palavras saíram da boca de Tácio e meu semblante logo mudou. Não era para ele dizer aquilo, o que ele queria, dizendo tal coisa?

— Está tarde, preciso ir agora para casa, amanhã tenho que acordar cedo e...

— Ei, calma. — Cortou minha fala. — Não precisa ficar nervosa, eu não vou fazer nada com você Aurora, só queria que soubesse de algo.

— O quê? — perguntei nervosa.

— Você é muito linda, o que não passa despercebido por ninguém e também é muito inteligente. Não sei o que te fez largar tudo e vir parar aqui, mas saiba que estou disposto a te ajudar em tudo que precisar.

— Muito obrigada, mas, por favor, vamos embora? — Respondi impaciente, tinha medo de onde aquela conversa estava chegando.

— Tudo bem.

Fomos para o carro. Em silêncio, cheguei em frente a minha casa, abri a porta do carro e ia descendo, mas sua mão segurou o meu braço.

— Sim, minha professora foi muito gentil em me mostrar um erro que havia cometido ao enviar o TCC, graças a ela, não serei reprovada.

— Que bom que ainda existam pessoas assim, né?

— Verdade, agora me diz, vocês demoraram para chegar em casa?

Eu poderia mentir e não falar sobre o mirante, mas sei que uma mentira levaria a outra e eu não queria cair nessa lama toda. Além disso, se eu ocultasse, seria como se tivesse algo para esconder, e eu não tenho.

— A gente acabou indo ao mirante, antes de vir para casa. Falei com ele que era bom marcarmos um dia para irmos nós três, mas ele disse que marcaria outra vez.

— Sério? Vocês foram ao mirante sozinhos? — Houve um pequeno silêncio antes dela continuar. — Lá é muito bonito, não é?

— É, sim, muito perfeito. Faltou você lá, mas não demoramos nem vinte minutos, pois estava muito frio e viemos embora.

— Ele te falou alguma coisa? — Havia certa curiosidade em sua voz.

— Alguma coisa, tipo o quê?

— Não sei — ficou sem graça — Deixa quieto, você deve estar cansada, amanhã tem que vender seus laços. Me diz, que horas dá para você ir olhar o micro-ondas na casa da minha colega?

— Então, Rafa. Acho que não vou mais. — Juro que estava muito sem jeito.

— Por que, o que houve, desistiu de comprar?

— É que acabei de ganhar um novo, não vou mais precisar de outro.

— Você ganhou? Sério, que legal. Quem te deu?

— O Tácio.

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