Laura Stevens –
Já era noite quando comecei a despertar.
A escuridão suave do quarto me envolvia como um cobertor morno e o único som era o das respirações calmas — a minha, a dele, e… a de outra pessoa.
Soltei um riso ao ouvir uma vozinha sussurrada, doce, que parecia estar em conversa com o silêncio.
Abri os olhos devagar, ainda meio entre o sonho e a realidade, e vi Nathan. Sentadinho ao meu lado, com seu ursinho favorito nas mãos, ele olhava fixamente para a minha barriga, como se esperasse que ela respondesse de volta.
— Quando você sair, vou te mostrar os meus brinquedos — ele dizia baixinho, com aquela voz pura, cheia de carinho. — A mamãe sempre fala que os pequenos não pode levar coisa na boca, senão engole… então, eu te trouxe esse ursinho. Ele é fofinho e você não vai conseguir colocar na sua boca.
Meu coração se encheu de um calor estranho e bom.
Um nó se formou na garganta, e eu me vi sorrindo sem nem perceber. Levei a mão até os cabelos dele e acariciei com ternura, aquele gesto automático que só o amor é capaz de ensinar.
— Com quem você está falando, meu bem? — perguntei, com a voz saindo ainda rouca pelo sono.
Ele virou o rosto devagar e me olhou com aquele ar de segredo doce, levando o dedinho indicador até os lábios.
— Shhhh… o papai e a neném estão dormindo, mamãe.
A neném. Então ele já prestou atenção.
A palavra me fez prender o ar por um segundo. Fiquei olhando para ele, tentando entender.
— Você acha que é uma menina? — perguntei, meio sorrindo, meio tentando não chorar.
Ele assentiu com a cabeça, como se não restasse dúvida alguma.
— O vovô também! — Disse ele com naturalidade, apontando para trás de si.
Me endireitei um pouco na cama, sentindo meu coração acelerar em um ritmo estranho.
— O vovô? — repeti, sentindo um arrepio gelado me percorrer a espinha.
Olhei na direção que ele apontava, mas não havia nada ali. Só o canto do quarto, vazio, com a luz baixa e as sombras bailando nas paredes.
Nathan continuou, sereno.
— O vovô disse que a senhora vai ficar muito bonita quando a Mel crescer na barriga. E que tudo vai ficar tudo bem. Dessa vez vai dar tudo certo.
"Mel."
O nome soou dentro de mim como um eco, como um segredo revelado direto no coração. Senti uma onda quente tomar conta do meu corpo. Um arrepio subindo pelas costas. Os olhos se encheram de lágrimas, e eu nem consegui ou se quer tentei conter.
— Amanda... — Minha voz saiu trêmula.
Ela não respondeu de imediato. Do outro lado, só ouvi a respiração dela entrecortada. Depois, um soluço. E aí eu soube. Antes mesmo das palavras. Eu soube.
Mas, mesmo com o peito apertado, mesmo com o medo se infiltrando pelos poros… eu senti uma presença perto de mim. Uma força. Algo que dizia: Vai ficar tudo bem.
E, por algum motivo, eu acreditei.
Porque talvez ele estivesse mesmo ali.
Naquele instante, respirei fundo. Tão fundo que me fez sentir abraçada na minha própria penumbra.
Eu prometi cuidar dele e o perdoei antes que partisse e naquele momento, eu percebi que os cuidados dele com Nathan e o pedido de perdão, junto a minha voz o afirmando que estava tudo bem, já era uma despedida.
E eu tive que aceitar.
—Eu estou a caminho. – Falei com a voz trêmula, colocando o telefone novamente no gancho e ao me virar, aquela presença ficou maior.
Não consegui mais conter as minhas lágrimas. Eu precisava falar algo.
—Descanse em paz, papai!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Secreto com o meu Chefe