Laura Stevens –
Eu nunca pensei que voltaria a me sentir assim. Leve.
Encostei a cabeça no encosto do banco e fechei os olhos por um instante.
Senti o calor da mão do Christian entrelaçada à minha, repousando sobre a minha barriga.
Ele dizia que queria recomeçar, que agora tudo ficaria bem. E, pela primeira vez em muito tempo, eu acreditei.
O nome “Tereza” ainda ecoava no meu peito como um afago. Era doce, carregado de significado. Minha mãe... ela teria ficado tão feliz. E ouvir aquele nome sair dos lábios do Christian, com tanta ternura, me fez entender que, de alguma forma, ela estava conosco agora. Dentro de mim, no olhar dele, no nome da nossa filha.
Minha filha. Nossa filha.
Sorri para o horizonte enquanto ele dirigia e aquela estrada à nossa frente parecia tão simbólica. Como se o universo tivesse nos entregado um novo caminho, depois de tantas curvas perigosas, becos sem saída e estradas esburacadas.
Suspirei, deixando o som sair como um suspiro de renascimento. Era um convite para ser quem eu sempre fui, mesmo quando escondida sob o peso dos meus medos.
—Acho que estou pronta para ser Ivy de novo.
E eu estava.
Estava pronta para voltar a existir de verdade. Não como um disfarce, não como uma sobrevivente, mas como mulher, mãe, companheira... viva.
—Como você imagina nossa vida daqui para frente? — perguntei, quase em um sussurro.
Christian sorriu, como se já tivesse imaginado isso mil vezes. E talvez tivesse mesmo. Eu via no jeito como ele me olhava que já havia sonhado com esse futuro muito antes de mim.
—Para começar, quero uma casa com varanda. Com redes balançando ao vento e você lá, com um livro no colo e a Tereza dormindo no seu peito.
A imagem me fez sorrir, e meus olhos se encheram d’água.
—E o Nathan correndo pelo quintal com um cachorro atrás dele?
Ele riu.
—Claro. Um golden, com nome idiota que o Nathan vai escolher. Tipo... Thor. Ou Batata.
Eu sorri. Eu conseguia ver tudo com tanta nitidez.
A vida simples. As manhãs com cheiro de café. As tardes com cheiro de grama e terra molhada. As noites silenciosas, seguras.
—Quero ensinar o Nathan a andar de bicicleta. E quero que a Tereza cresça sabendo que pode ser tudo. Que será amada sempre. E protegida. – Falei soltando um suspiro longo.
—Ela vai saber. E vai ver todos os dias o quanto o pai dela os ama e ama a mãe dela.
Minhas mãos tremiam um pouco. Talvez de emoção. Talvez de alívio.
—Você fala essas coisas como se eu fosse algo raro. Eu acreditei que ninguém mais poderia me amar. Que eu seria o que os outros diziam: A errada, descartável, problema.
—Você nunca foi nada disso — ele disse, sério. — Você foi só alguém que precisou lutar sozinha por muito tempo. E agora... agora a gente luta junto.
Uma lágrima desceu e eu nem tentei esconder. Ele enxugou com o polegar, e então eu sussurrei...
—Você é tudo o que eu nunca soube que precisava.
Ele parou o carro no acostamento sem dizer nada. Desligou o motor, virou-se para mim e ficou ali, me olhando como se o mundo tivesse parado.
Um suspiro soou de dentro de sua alma.
—Você é minha casa, amor. E eu quero que nossos filhos cresçam sabendo o que é amor de verdade. Quero que a gente ria até doer a barriga. Quero ouvir tua risada todos os dias, até nos mais nublados, para me fazer lembrar que o meu verdadeiro sol está me esperando em casa. Quero acordar e dormir com você ao meu lado. Quero fazer jantares desastrosos, viajar de última hora, tirar férias intermináveis e envelhecer com rugas causadas por sorrisos. E esses planos, só vão se concretizar com você e os nossos filhos ao meu lado.
Ele parou de falar e respirou fundo mais uma vez.
—Eu te amo. Eu te amei ontem, te amo mais hoje e te amarei muito mais amanhã. Prometo ser assim até o meu último suspirar e até depois dele. Eu te amo, minha Ivy!
Assim que ouvi aquelas palavras, eu chorei. Alto, forte, do fundo da minha alma. Naquele instante, eu sabia que, se eu pudesse voltar ao tempo, não mudaria nada, só para ter esse amor hoje.
—Eu també te amo, Chris.

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