O Peso das Escolhas.
— Amanhã, às nove da manhã, você tem uma entrevista de emprego. — disse, firme, como quem anunciava uma vitória.
Eloise arregalou os olhos.
— Como assim, Nathalia? Você sabe que em todo lugar que coloco currículo, o idiota faz questão de sabotar para não me dar nenhuma chance.
— Eu sei. — respondeu, séria, mas logo abriu um sorriso que Eloise pôde ouvir do outro lado da linha. — Mas dessa vez é diferente. Não se preocupe, não é possibilidade, é certeza: você tem essa entrevista.
— Mas… como? — Eloise ainda soava desconfiada, quase sem acreditar.
— Porque quem conseguiu foi o Thiago. — revelou Nathalia, baixando o tom, como se dividisse um segredo. — Ele não quer se envolver diretamente, pelo menos até trazer provas da sua inocência. Mas não ia deixar você desamparada.
Eloise silenciou por alguns segundos, sentindo um nó na garganta. O coração acelerou ao perceber que, mesmo em meio à tempestade, ainda havia alguém acreditando nela.
Nathalia não resistiu e completou, com um sorrisinho divertido:
— E tem mais… a entrevista é na empresa do Heitor Reis.
— O Heitor Reis? — Eloise repetiu, surpresa.
— Exatamente. — confirmou Nathalia, em tom animado. — Ou seja, além de garantir um emprego, você ainda vai trabalhar com aquele gato.
Eloise soltou uma risada nervosa, pela primeira vez em dias sentindo o peso no peito diminuir.
— Nathalia… você não existe.
— E você não está sozinha, ouviu? — completou a amiga, doce mas firme. — Nunca esteve.
Eloise ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo o que Nathalia acabara de dizer. Então, como um relâmpago, a memória voltou.
Flash.
Na saída de uma reunião, Heitor se aproximado dela com aquele sorriso tranquilo.
— Senhorita Nogueira… eu gosto desse ogro aqui. Mas, se algum dia ele fizer algo com você… se te machucar… não hesite em me procurar.
As palavras voltaram com tanta clareza que ela prendeu a respiração.
Será que ele sabia? Será que tinha descoberto o que havia acontecido?
Sacudiu a cabeça, voltando ao presente.
— Nathy… agradece o Thiago por isso, por favor.
Do outro lado da linha, a voz da amiga veio carregada de ternura.
— Elo, ele prometeu que vai descobrir a verdade.
Eloise fechou os olhos. Uma lágrima escorreu, mas dessa vez misturada a um sopro de esperança.
Mas ela sabia que, mesmo que a verdade viesse à tona, nada voltaria ao normal. Não existia mais Eloise e Augusto juntos. A humilhação que sofreu era imperdoável.
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Augusto saiu do prédio de Thamires o mais rápido que conseguiu. Chamou um táxi e foi direto para seu apartamento, mas o silêncio do lugar era mais cruel do que qualquer palavra.
O bar na sala parecia chamá-lo. Jogou o paletó em qualquer canto, afrouxou a gravata e se deixou cair no sofá.
E foi ali, exatamente naquele sofá, que as lembranças o atingiram.
Foi nesse instante que Melissa, a recepcionista do andar executivo, surgiu no campo de visão. Caminhava apressada, mas com passos ensaiados, quase teatrais. O sorriso tímido, a postura ligeiramente curvada como quem queria parecer doce.
— Senhor Monteiro… — disse, parando diante dele. — Eu soube da vaga… da secretária executiva.
Ele não respondeu. Apenas ergueu uma sobrancelha, em silêncio.
Melissa respirou fundo, tentando parecer ousada.
— Eu sei que não tenho a experiência dela… — começou, com a voz suavemente trêmula, como se fosse humilde. — Mas sou competente, dedicada… não deixo nada para trás. Acho que posso crescer, se o senhor me der essa chance.
Por um instante, Augusto apenas a encarou. O olhar verde, frio, pesado. O silêncio durou o suficiente para a moça engolir em seco.
Então, ele cortou, a voz seca como gelo:
— O cargo da recepção do andar da presidência já é mais do que suficiente para você.
Melissa piscou, surpresa, tentando recompor o sorriso.
— Mas, senhor, eu…
— É só isso. — ele interrompeu, firme, sem alterar o tom. — Chame a responsável do RH.Preciso de uma secretária.
A recepcionista recuou um passo, o sorriso tímido se esfarelando. Assentiu rapidamente e se afastou, o salto ecoando no mármore enquanto se virava.
Augusto voltou o olhar para a mesa vazia. O coração latejava no peito, mas o rosto manteve-se impassível.
Entrou em sua sala e trancou-se. O mundo podia desabar lá fora, mas ninguém entraria ali sem sua ordem.
Sentou-se atrás da mesa, mas não abriu relatórios, não atendeu telefonemas. Apenas fechou os olhos e respirou fundo, tentando, em vão, se convencer de que não era Eloise que ainda ocupava cada canto da sua mente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...