O peso do silêncio.
Já tinha se passado dois dias, arrastados, como se o tempo fosse um inimigo.
Eloise se dividia entre a angústia no hospital e as tentativas frustradas de encontrar um emprego. Mas nada parecia suficiente.
Numa tentativa falha de ocupar todo o tempo, buscava se manter ocupada apenas para não ter espaço para pensar nele.
No silêncio de sua casa, a dor dilacerava o peito de Eloise.
Ela até tentava ser forte, buscar a razão, mas o coração insistia em doer. Os olhos não continham as lágrimas.
E foi ali, no silêncio, que ela teve a clareza da dor que consumia sua alma
No hospital, a dor era constante. Seu pai já não estava mais apenas debilitado — estava no quarto, respirando por aparelhos. A cada dia sem a cirurgia, a sombra da perda se tornava mais real.
Eloise passava as mãos pelos braços, tentando se aquecer do frio metálico dos corredores, mas era um frio que vinha de dentro: medo.
Na busca desesperada, ela correu atrás de bancos. Sentou-se diante de gerentes indiferentes, tentou expor sua situação, ofereceu até mesmo a casa de seu pai como garantia. Mas sempre a mesma resposta fria: “Infelizmente não será possível.”
Cada “não” era como mais uma pedra sobre seus ombros.
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Thiago pegou o celular sobre a mesa. Respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e discou o número.
— Reis, vou ser direto: preciso de você agora.
Do outro lado da linha, a voz grave atendeu com naturalidade:
— Fala, Thiagão.
— Seguinte, vou resumir porque o tempo tá correndo. Mas preciso de um favor seu.
Em poucas palavras, Thiago resumiu tudo. O roubo do projeto, o vídeo comprometedor, a acusação contra Eloise. Explicou que ainda estava investigando, que havia muitas brechas, que nada fazia sentido.
O silêncio durou poucos segundos, Thiago, explicou ainda.
— Até que haja provas claras de traição, não vou deixar a Eloise desamparada.
— Thiago — falou firme, sem vacilar. — Eu tenho o mesmo pensamento que você, a diferença é só pelo que me contou, eu acredito cem por cento na Eloise. Ela não merece o que esse ogro do Augusto fez. E escuta o que eu estou dizendo… isso vai custar caro a ele.
Thiago fechou os olhos por um instante, como se aliviasse parte do peso.
— Então você acredita nela também…
O tom seguro de Heitor trouxe algo que Thiago não esperava: esperança.
Heitor foi firme:
— Pode dizer a ela para vir até a minha empresa amanhã. Eu quero conversar com ela pessoalmente.
Thiago esboçou um sorriso breve, mas antes que pudesse agradecer, a voz de Heitor soou uma última vez, cortante:
— E não confunda, Thiago. Somos amigos, mas isso não é um favor. Afinal, não estou fazendo por você. Estou fazendo por Eloise.
— Justo. E confesso… fico mais tranquilo sabendo que ela tem você.
Decidiu que esperaria o momento certo.
O celular de Eloise vibrou em cima da mesa. Era Nathalia.
Ela atendeu rápido, tentando disfarçar a voz cansada.
— Oi, Nathy.
— Oi, amiga. — a voz doce de Nathalia soou do outro lado. — Já almoçou? Não me diga que está se virando só com café e bolacha.
Eloise suspirou, olhando para o prato quase intocado na frente dela.
— Estou tentando comer…
— “Tentando” não vale. — Nathalia ralhou em tom carinhoso. — Precisa se cuidar. Depois do trabalho passo aí, vamos jantar juntas.
Eloise sorriu de leve. Aquele cuidado aquecia mais que qualquer comida.
— Obrigada, Nathy… de verdade.
Houve uma pausa curta, até que Nathalia deixou escapar o que realmente queria dizer. A voz dela veio mais animada, quase conspiratória:
— E, aproveitando… tenho uma pequena novidade.
— Novidade? — Eloise franziu o cenho, surpresa.
Por alguns segundos, Eloise perdeu o ar, o coração falhou. Uma esperança perigosa se acendeu em seu peito: talvez, enfim, Augusto tivesse descoberto toda a verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...