Novos Caminhos
O visor do elevador marcava 8h50.
Eloise respirava fundo, tentando acalmar o coração que batia rápido demais. O tailleur azul-marinho estava impecável, a saia lápis e a camisa clara denunciavam o esforço de parecer forte, mesmo que por dentro estivesse despedaçada.
A cada andar que subia, o nervosismo aumentava. O reflexo no espelho do elevador mostrava uma mulher séria, mas os olhos marejados não escondiam noites mal dormidas.
As portas se abriram.
No fim do corredor, Heitor Reis a aguardava. O homem de postura firme, sempre com aquele semblante sereno, a recebeu com um sorriso sincero.
— Eloise. — cumprimentou, abrindo a porta de sua sala e fazendo um gesto para que ela entrasse.
Ela se acomodou na cadeira diante da mesa, mas a ansiedade a dominava. Não resistiu e soltou, a voz baixa, quase trêmula:
— Você… você sabe o que aconteceu?
Heitor a observou por alguns segundos, o olhar escuro, firme, como se pudesse enxergar além das palavras. Então respondeu, convicto:
— Sei o que o Thiago me contou. E isso basta para eu acreditar em você. — inclinou-se para frente, a voz grave, mas serena. — Eloise, eu sei que você nunca seria capaz de fazer algo tão baixo.
A respiração dela falhou. As lágrimas quase transbordaram, mas ela conseguiu sorrir, mesmo que de forma tímida.
— Por que você confia tanto em mim?
— Porque eu enxergo no fundo da sua alma. — disse, sem hesitar. — E no fundo dela não existe falsidade.
As palavras atravessaram Eloise como uma flecha. Um nó se formou em sua garganta, o estômago revirou e, por um instante, ela sentiu um frio percorrer-lhe a espinha. O olhar firme de Heitor parecia desnudar algo que ela mesma escondia — a dor, a culpa, a esperança ainda viva.
O silêncio que caiu, foi carregado de significado, ela baixou os olhos, pressionando as mãos sobre o colo para disfarçar o leve tremor, sem saber como reagir àquela confiança inabalável.
Heitor se recostou na cadeira, mudando o tom para algo mais leve:
— O salário aqui não será tão alto quanto o de secretária do presidente que você tinha antes. — admitiu com franqueza. — Mas, em compensação, você terá a chance de trabalhar exatamente na sua área: o marketing. É o que você estudou, é o que você ama.
Ela ergueu os olhos de repente. A esperança que julgava perdida acendeu de novo, tímida, mas viva.
— Marketing…?
Heitor sorriu, cúmplice.
— Exato. Aqui você terá espaço para crescer. E, mais importante, para recomeçar.
Eloise respirou fundo, sentindo uma ponta de alívio percorrer o peito. Pela primeira vez em dias, acreditou que ainda havia futuro.
Eloise respirou fundo e assentiu.
— Eu aceito. — disse, a voz firme apesar da emoção.
Heitor sorriu, estendendo a mão.
— Bem vinda a equipe. Você pode começar amanhã, se possível.
Ela apertou a mão dele com força, sentindo um nó se desfazer em seu peito
E então acrescentou com naturalidade:
— Se tiver um tempo agora, eu mesmo te levo até o RH. Assim já conhece a equipe e vê o ambiente.
Eloise respirou fundo, um misto de nervosismo e alívio atravessando seu peito.
— Claro. Eu tenho tempo. — respondeu, sem hesitar.
— Bem-vinda ao nosso caos organizado. — Dona Marta comentou com humor, percebendo a reação dela.
Logo um homem de meia-idade se levantou de uma das mesas centrais. Tinha o cabelo grisalho, óculos de armação leve e um sorriso tranquilo que transmitia confiança imediata.
— Eloise Nogueira? — perguntou, estendendo a mão. — Sou Álvaro Sousa, chefe do marketing. É um prazer enorme ter você aqui.
O aperto de mão dele foi firme, mas o olhar… havia ternura, um acolhimento que a fez lembrar imediatamente de Carlos, seu pai. O coração dela apertou, mas ao mesmo tempo se aqueceu.
— É um prazer senhor Álvaro. — respondeu com um leve sorriso no rosto.
— Vai notar que aqui não somos muito convencionais. — Álvaro continuou, em tom leve. — Mas o que falta em gravata e salto, sobra em ideias. E eu tenho certeza que você vai se encaixar muito bem.
Eloise respirou fundo, sentindo a primeira fagulha de esperança desde que sua vida tinha virado de cabeça para baixo.
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Já era quase meio-dia quando Eloise se despediu de Dona Marta.
Caminhou pelo corredor em direção ao elevador com passos firmes, mas o coração agora parecia mais leve.
Pela primeira vez em dias, havia uma ponta de esperança dentro dela.
Foi nesse instante que o celular vibrou dentro da bolsa. Era uma mensagem de Nathalia:
“E então, como foi?”
Um sorriso discreto escapou no rosto de Eloise. As lágrimas ainda brilhavam em seus olhos, mas, dessa vez, eram de alívio.
“Foi… um recomeço. Pequeno, mas meu.” — respondeu, digitando com as mãos trêmulas.
O elevador se fechou atrás dela, levando-a para um novo capítulo de sua vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...