Sombras no Horizonte.
O quarto cheirava a antisséptico, e o bip do monitor era o único som que quebrava o silêncio pesado. Carlos dormia profundamente, o rosto sereno, mas cansado.
Eloise se sentou devagar na cadeira ao lado da cama. Segurou a mão dele entre as suas, sentindo a pele fria e frágil, e respirou fundo antes de começar a falar.
— Oi, pai… sou eu. — murmurou, com um sorriso tímido, mesmo sabendo que ele não responderia. — Eu sei, parece bobo conversar com o senhor assim, mas eu preciso.
Passou o polegar sobre os nós dos dedos dele, como se buscasse transmitir força.
— Hoje eu tive uma entrevista… e o Heitor, lembra dele?. — os olhos marejaram, mas ela não parou. — Me deu uma oportunidade, pai. Não é como antes. É um emprego de verdade, na minha área. Eu… eu acho que é um recomeço.
Uma lágrima escapou, mas ela continuou, respirando fundo.
— O Heitor… ele acredita em mim. Disse que enxerga quem eu sou de verdade. — um sorriso frágil surgiu em meio às lágrimas. — Ele me deu uma chance, mesmo quando o Augusto… não.
O peito dela apertou ao pronunciar aquele nome, mas não se permitiu desabar. As lágrimas desciam livres.
— Eu queria tanto que o senhor visse. Que estivesse lá comigo. — engoliu em seco, os olhos se enchendo de lágrimas. — O Augusto… ele não acreditou em mim. Ele preferiu acreditar em mentiras. — a voz falhou, mas ela continuou. — Doeu, pai. Doeu tanto… mas eu prometo, eu vou seguir.
Ela inclinou-se mais, apoiando a testa sobre a mão dele.
— Eu sei que o senhor está cansado… mas, por favor, aguente firme. Vai dar certo, pai. O senhor vai sair dessa. — murmurou, entre lágrimas. — Vai sair dessa comigo.
Um sorriso frágil escapou em meio ao choro. Havia algo novo no olhar dela: uma ponta de esperança. Ainda que doída, mas real.
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O guarda-roupa parecia um campo de batalha. Eloise passava as mãos nervosas pelas roupas, tentando encontrar algo que não a deixasse deslocada demais no novo ambiente.
Lembrava-se bem do dia anterior: calças jeans, camisetas, tênis… nada formal, nada engessado como na Monteiro Corp. Mas ela ainda não se sentia pronta para abandonar de vez sua postura impecável.
Depois de longos minutos de indecisão, vestiu uma calça jeans de corte alto, elegante na medida certa, combinada a uma camisa leve de seda clara. Nos pés, um salto vinho, discreto mas sofisticado. Olhando-se no espelho, pensou: despojada, mas com a minha cara.
O coração acelerava a cada passo no corredor. Mas assim que chegou ao andar, foi recebida pelo sorriso acolhedor de Álvaro Sousa.
— Bom dia, Eloise. — disse o chefe, aproximando-se com a tranquilidade de quem parecia carregar sempre paz no olhar. — Seja bem-vinda ao seu primeiro dia.
Ela sorriu, tentando disfarçar o nervosismo.
— Bom dia, senhor Álvaro.
— Pode me chamar só de Álvaro. — corrigiu, bem-humorado. — Aqui somos menos “senhores” e mais “equipe”.
Ele a conduziu até sua mesa. A estação de trabalho era organizada, com detalhes que já mostravam ser diferente da rigidez que ela conhecia: plantas pequenas, canecas coloridas, papéis colados em murais.
Não demorou para duas colegas se aproximarem, sorridentes.
— Você é a Eloise, não é? — perguntou uma delas, de óculos grandes e cabelo cacheado. — Bem-vinda, finalmente temos mais alguém pra dividir nossas loucuras.
— Sou a Patrícia, mas pode me chamar de Pati. — disse, estendendo a mão.
— E eu sou a Lúcia. — completou a outra, piscando simpática. — Qualquer coisa que precisar, é só gritar.
Eloise franziu o cenho.
— O que aconteceu?
— É um evento enorme, chiquérrimo, cheio de empresários e políticos. Uma das garçonetes cancelou de última hora. Eles estão pagando muito bem para cobrir a vaga. — fez uma pausa curta, quase implorando. — Eu lembrei de você. Você é dedicada, discreta… e eu confio que não vai me deixar na mão.
Eloise hesitou, olhando para o pai adormecido. O coração pesava, mas a mente fez a conta rápida: era dinheiro. Dinheiro que poderia ajudar, mesmo que pouco.
— Eu… — engoliu seco. — Eu aceito.
— Perfeito! — a colega suspirou aliviada. — Vou te passar o endereço e as instruções. Se prepare, é daqueles eventos que parecem saídos de uma revista.
Eloise desligou, apertando o celular contra o peito. Um sorriso breve, cansado, cruzou seus lábios.
— Vai dar certo, pai. — murmurou, ajeitando a manta sobre ele. — Eu prometo que vou arrumar um jeito… nem que seja trabalhando em três turnos.
Por dentro, no entanto, uma chama de apreensão queimava. Mal sabia ela que, naquela noite, não seria apenas mais uma freelancer — seria o início de um confronto com o passado que poderia mudar tudo.
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Enquanto isso, Thiago não descansava. Corria atrás da investigação com a mesma intensidade com que Eloise corria atrás de um milagre. Pediu ajuda ao amigo Thomas — policial experiente, especialista em investigações — que não hesitou em mergulhar fundo na busca por provas.
Thiago tinha certeza: algo estava errado. Mas a suspeita se transformou em choque quando foi ao hospital para ver Eloise e foi informado na recepção:
— transferido?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...