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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 122

Ecos do Passado

O relógio da sala já passava das nove da noite quando Augusto serviu mais uma dose de whisky. O líquido âmbar girava lento no copo de cristal, mas a ardência na garganta era pequena diante do amargor que corroía por dentro.

A cada gole, os olhos de Eloise voltavam à sua mente. O olhar dela — ferido, dilacerado — ainda o perseguia.

Ele fechou os olhos, pressionando a têmpora.

Foi quando passos firmes a campainha trocou. Ao abrir a porta, a surpresa.

— Augusto. — a voz grave de José Monteiro soou, carregada de autoridade.

— Pai. — respondeu, sem emoção.

José aproximou-se entrando porta a dentro, o terno impecável, a expressão austera. Observando o litro de whisky meio vazio e papéis espalhados da mesa de centro.

— Está se destruindo por uma mulher. — disse, seco, sem rodeios. — E pelo motivo errado.

Augusto franziu o cenho, mas não respondeu. Apenas tomou outro gole.

— Essa Eloise… — José continuou — Você sabe que ela vendeu o projeto. Tem provas não se deixe enganar. Está claro como água.

Augusto apertou o copo na mão, o maxilar travado.

— Não fale dela. — murmurou, mas a voz não tinha firmeza.

José inclinou a cabeça, os olhos verdes — tão iguais aos de Augusto, mas muito mais frios — cravados nele.

— Eu falo porque é necessário. — rebateu. — Você é a primeira opção na lista de sucessor do maior império deste país. Hotéis, construções, tecnologia. Mas não pode se dar ao luxo de tropeçar por causa de uma mulher que te envergonha diante do mercado.

Augusto abriu a boca para responder, mas o pai ergueu a mão, cortando-o.

— Já está na hora de pensar em um casamento digno. — afirmou, categórico, a voz carregada de autoridade. — Não vou me meter em sua escolha… mas a família Monteiro precisa de herdeiros, precisa de continuidade. — disse servido uma bebida e virado com os olhos fixos no filho. — Preciso de netos, Augusto. Todos da minha geração já têm. Você é o último a me deixar esperando.

Augusto apoiou o copo sobre a mesa com força, o cristal tilintando.

— Eu não quero ser o seu sucessor. Tenho meu próprio império. E nunca irei me casar por conveniência.

José riu baixo, sem humor.

— Por quê? O que há de tão errado nisso? — José deu um passo à frente, a voz mais baixa, quase confidencial. — Eu mesmo fiz isso. Casei com sua mãe sem amor. Ela me amava, e eu… eu a desprezava no início. — por um instante, a dureza de seu semblante se quebrou, revelando a lembrança viva. — Mas, com o tempo, descobri que ela era o maior amor da minha vida. E fui o homem mais feliz ao lado dela.

O silêncio pairou pesado.

Augusto ergueu os olhos, surpreso. Era raro ouvir o pai falar dela.

José suspirou, a lembrança suavizando brevemente sua expressão.

— Ela era tudo o que eu não esperava. Indomável, doce e feroz ao mesmo tempo. — olhou para o nada, perdido em memórias. — O casamento arranjado se transformou na história mais linda da minha vida.

Augusto engoliu em seco, sentindo o peito apertar.

José voltou a encará-lo, e a dureza retornou ao rosto.

— Mas Eloise não é a sua mãe. — disse, frio, cada palavra cortante como lâmina. — Ela não veio para te elevar, Augusto, mas para te puxar para o fundo. E não vou falar de Thamires para tentar te influenciar… mas ao menos ela é estável, previsível, uma mulher que o mercado jamais questionaria. Talvez tenha amadurecido, talvez os erros tenham ficado no passado. Ainda assim — ergueu o queixo, categórico — a escolha é sua, filho.

Augusto apertou os punhos, os olhos queimando em raiva e dúvida. O coração gritava Eloise, mas a voz do pai sussurrava veneno.

José finalizou com uma sentença:

— Pense nisso, Augusto. Não sobre ela… mas sobre o império que vai carregar nas mãos. E sobre o tipo de mulher que estará ao seu lado quando esse dia chegar.

Virou-se e saiu, deixando apenas o som dos sapatos caros, ecoando pelo corredor como um martelo que selava seu discurso. Augusto ficou imóvel, encarando o copo vazio. A lembrança da mãe suavizava seu peito por um instante, mas logo o rosto de Eloise voltou como sombra, com aquele olhar ferido que o perseguia.

E, pela primeira vez, o whisky não foi suficiente para silenciar o turbilhão.

___

O relógio da parede marcava pouco depois da meia noite quando a porta da sala cirúrgica se abriu. O médico retirou a touca e a máscara, caminhando até o grupo que aguardava no corredor.

— Família do senhor Carlos Nogueira? — perguntou, a voz grave, mas carregada de serenidade.

Eloise deu um passo à frente, o coração disparado, os olhos vermelhos de tanto chorar.

— Sou eu. — murmurou.

O médico assentiu.

Thiago sorriu de leve.

— Foi um sucesso.

Do outro lado da linha, Thomas permitiu-se relaxar pela primeira vez naquela noite.

— Fico feliz pela Eloise. Não a conheço tão bem, mas instinto é instinto. E o meu sempre me diz para proteger a vítima.

Encerraram a ligação.

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No corredor, Eloise enxugava o rosto com as mãos trêmulas. Voltou-se para Cláudia e Thiago, a voz embargada, mas cheia de sinceridade.

— Eu não sei como vou pagar por isso. — disse, soluçando. — Trabalho em dobro, em triplo, o que for preciso, mas vou pagar cada centavo. Vocês não sabem a gratidão que sinto.

Cláudia segurou as mãos dela, firme, e respondeu em tom grave:

— Não precisa. Considere… um favor pago.

Eloise franziu o cenho, confusa, mas antes que pudesse perguntar, Thiago interveio.

— Não tem dívida nenhuma aqui. — disse, com um sorriso suave. — O que fizemos foi o mínimo que qualquer amigo faria. E somos amigos certo?

Eloise o encarou, surpresa.

— Amigos?

Thiago abriu os braços e a puxou para um abraço apertado.

— Sim, Eloise. Somos amigos.

Ela desabou de vez, chorando contra o ombro dele.

Cláudia desviou o olhar, escondendo a emoção, enquanto Nathalia apenas observava, o coração aquecido pela cena.

Naquele instante, não havia conspirações, nem jogos de poder. Apenas a certeza de que Eloise não estava mais sozinha.

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