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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 123

Risos e feridas

Eloise ainda enxugava as lágrimas quando voltou os olhos para a porta da sala de cirurgia. O desejo era claro: permanecer ali, imóvel, até que pudesse ver o pai abrir os olhos.

— Eu quero ficar no hospital. — disse, firme, como se fosse uma promessa.

Cláudia deu um passo à frente, a voz firme, mas terna:

— Filha… a cirurgia já foi feita. Agora você precisa descansar e confiar nos médicos… e em Deus. — pousou a mão no ombro dela. — Uma noite bem dormida é o melhor que você pode fazer agora.

Thiago assentiu, apoiando a ideia.

— É verdade, Eloise. Não tem nada que você possa fazer aqui além de se desgastar. Cláudia garantiu que seu pai está nas mãos da melhor equipe da Cidade Norte.

Eloise mordeu o lábio, dividida entre o alívio e a culpa de ir embora.

Foi Nathalia quem se aproximou, cruzando os braços com um sorriso maroto para suavizar o clima.

— Então está decidido. Você vai dormir comigo hoje. — disse, categórica. — Não vou deixar você ir para casa e ficar sozinha, nem pensar. Vai ser noite das meninas!

E, piscando de forma brincalhona, completou:

— Além disso… eu ando meio carente.

Eloise abriu um meio sorriso, emocionada. A cena já parecia mais leve, até que uma voz masculina ecoou atrás delas:

— Se é carência o problema, eu sou a cura.

Todos se viraram e deram de cara com Heitor Reis, encostado à parede com um sorriso convencido.

O comentário pegou todos de surpresa. Nathalia arregalou os olhos, Cláudia revirou os dela, e até Thiago ergueu uma sobrancelha.

Mas Eloise, contra todas as expectativas, deixou escapar uma risada curta, seguida pelas demais. A tensão da noite que parecia interminável se quebrou por alguns segundos.

Heitor aproximou-se, teatralmente ofendido.

— Qual é… eu estou falando sério. — disse, mas o tom era leve, quase provocador.

O corredor, antes sufocado pelo peso da cirurgia, encheu-se com algo que Eloise não sentia fazia tempo: esperança misturada com riso.

Eloise, ainda com os olhos marejados, olhou surpresa para Heitor.

— Mas… o que você está fazendo aqui?

Ele deu de ombros, com a calma de sempre.

— Thiago me ligou para avisar. — respondeu, direto. — Eu passei aqui para verificar como você estava.

Eloise baixou os olhos, tocada pelo gesto.

— Obrigada, Heitor… de verdade.

Mas a gratidão foi logo cortada pela voz firme dele:

— Gratidão não é suficiente. — disse, encarando-a. — Eu falei que, se você precisasse de alguma coisa, era para ir até a minha sala. Como é que seu pai precisa de uma cirurgia e você não me fala nada?

O rosto de Eloise corou, tomada pela vergonha.

— Heitor… não tinha como. — murmurou, hesitante. — Como eu iria pedir uma quantia tão grande ao meu chefe, sendo que tenho apenas três dias de trabalho na empresa?

O silêncio pairou entre eles. Por um instante, o olhar de Heitor suavizou. Ele respirou fundo, afastando a frustração.

— Só se lembra de uma coisa, Eloise: você pode contar comigo. Sempre.

As palavras ficaram suspensas no ar, como uma promessa que ela não soube como responder.

Nathalia, percebendo o peso da conversa, bateu palmas de leve, tentando quebrar o clima.

— Certo, chega por hoje. Vamos para casa, porque todos estão cansados. Esse dia já teve emoção demais para uma vida inteira.

Eloise suspirou, rendida.

— Está bem… eu vou com você.

Thiago se adiantou, oferecendo-se:

— Eu levo vocês duas. Depois deixo a Cláudia em casa.

Mas Heitor ergueu a mão, cortando.

— As meninas eu levo. Vocês precisam descansar.

Nathalia ainda tentou hesitar, trocando olhares rápidos com Eloise. Mas, pensando melhor, percebeu que fazia sentido.

— Está certo. — cedeu. — Thiago leva a Cláudia, e nós vamos com Heitor. Assim todo mundo chega mais rápido em casa.

O carro virou em uma rua iluminada por postes antigos, e Heitor reduziu a marcha.

— Vou propor algo. Nada de voltar direto pra casa. Que tal comer alguma coisa?

Nathalia se animou na hora:

— Se for restaurante chique, tô fora. Não tenho paciência pra vinho com nome francês e prato que mais parece enfeite.

— Relaxe. — disse Heitor, piscando para Eloise pelo retrovisor. — Pensei em algo melhor: pastelaria do seu Zeca, aberta até de madrugada. Pastel gorduroso, suco de caixinha, refrigerante gelado, guardanapo que não limpa nada, muitas calorias. É disso que vocês precisam.

Eloise arregalou os olhos, surpresa.

— Você, em pastelaria de bairro?

— Ei, não espalha. Tenho uma reputação a zelar. — respondeu, teatral.

O carro parou na esquina iluminada por uma placa neon trêmula. O cheiro de fritura escapava pela porta de vidro, e o ambiente era tão simples que parecia outro mundo em comparação com os salões luxuosos que Eloise costumava frequentar ao lado de Augusto.

Ao entrar, sentaram-se em uma mesa de plástico, rindo da falta de formalidade. Nathalia já pediu dois pastéis de queijo, Heitor pediu carne com ovo, e Eloise, depois de hesitar, acabou escolhendo frango com catupiry.

Enquanto esperavam, Heitor se inclinou para a mesa, os olhos fixos em Eloise.

— Viu só? Nada de vestido caro, nada de gala, nada de ogro. Só nós três, comida de verdade e risadas. — sorriu de canto. — Aposto que era isso que você queria.

Eloise abriu um sorriso tímido, mas sincero.

— Talvez… você tenha razão.

Por algumas horas, ela conseguiu esquecer a dor, as dúvidas e até mesmo Augusto Monteiro.

Nathalia ergueu o copo de suco como se fosse champanhe.

— Um brinde ao pastel que salva corações partidos.

As risadas ecoaram leves, aquecendo aquele pequeno espaço com uma simplicidade quase esquecida.

Então, o celular de Heitor vibrou sobre a mesa.

Ele olhou para a tela, o sorriso sumindo por um instante.

— Com licença. — murmurou, levantando-se para atender

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