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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 141

O Clubes e suas Verdades

Era um sábado. O sol entrava tímido pelas cortinas quando Eloise se levantou antes mesmo de Nathalia acordar. Preparou um café rápido, deixou um bilhete carinhoso sobre a mesa — “Não me espera, vaquinha, volto mais tarde. ” — e saiu rumo ao hospital.

No quarto, encontrou o pai desperto, apoiado nos travesseiros. Ainda frágil, mas com os olhos vivos, atentos a cada movimento dela.

— Olha só quem resolveu acordar cedo. — brincou Eloise, ajeitando as cobertas. — Prepare-se, porque eu tenho muita coisa pra contar.

Sentou-se na cadeira ao lado e começou a falar, as mãos gesticulando animadas. Contou que tinha trocado de área na empresa, que agora estava mais focada nos projetos que realmente gostava, que finalmente estava exercendo o que estudou.

— Foi a melhor decisão, pai. — disse, os olhos brilhando. — Eu precisava desse recomeço. Me ajudou a pensar melhor sobre… tudo.

Não mencionou Augusto. Nem uma palavra sobre os dias caóticos, nem sobre as humilhações que ele fez. Guardou tudo dentro de si, como se fosse um fardo que não podia dividir. Para o pai, preferiu falar apenas de trabalho, como se nada tivesse acontecido.

Carlos observava em silêncio, um sorriso leve escapando nos lábios. A empolgação da filha era como um sopro de vida, e até a risada fraca que deixou escapar lhe trouxe um alívio raro.

— Ver você assim… — murmurou, rouco, mas feliz. — É melhor que qualquer remédio.

Eloise sorriu emocionada, segurando a mão dele com carinho.

A porta se abriu, e a enfermeira entrou trazendo a bandeja com os medicamentos.

— Hora do descanso, senhor Carlos. — disse, profissional mas atenciosa. — Esse remédio vai deixá-lo sonolento, é importante não forçar demais.

Eloise ajeitou o travesseiro, deu um beijo na testa do pai e sussurrou:

— Descansa, papai. Volto à noite, prometo.

Ele fechou os olhos devagar, já vencido pelo efeito da medicação. O quarto ficou em silêncio, apenas o som do bip ritmado do monitor preenchendo o espaço.

Mas, por trás do torpor, a mente de Carlos ainda trabalhava. Pensava em Cláudia, no impacto que sua presença tivera sobre ele. Pensava também na visita de Carla, nas palavras cortantes que ela deixara antes de ir embora.

O corpo cedeu, pesado, e Carlos adormeceu. Mas seus pensamentos permaneceram, como ecos presos no escuro.

___

Quando Eloise chegou em casa, encontrou Nathalia já elétrica, andando de um lado para o outro com o celular na mão.

— Finalmente! — exclamou. — Eu preciso de detalhes, urgente. Estou louca para saber o que rolou no jantar da nossa Cinderela com o Thiago?

Antes que Eloise pudesse responder, Nathalia mexeu no celular.

— Pronto! — disse, triunfante. — Adicionei a Sofia ao grupo. Agora ninguém escapa.

No grupo “Meninas — só fofocas”, começaram as notificações:

Nathalia:

“Cadê a Cinderela? Espero que à meia-noite nada tenha virado abóbora 😂👠”

Eloise:

“Bora, Emma, queremos saber TUDO.”

Pouco depois, uma mensagem de Emma piscou na tela:

Emma:

“Vocês estão ocupadas? Têm algum compromisso agora?”

As três responderam quase ao mesmo tempo que não.

Emma:

“Então perfeito. Vamos nos reunir no clube. É divertido e conto tudo pessoalmente. Vou mandar o endereço.”

Nathalia vibrou como se fosse uma criança indo ao parque.

— Ai, meu Deus, isso promete. — murmurou.

---

Algumas horas depois, o trio desembarcava na frente de um clube luxuoso da Cidade Norte. O prédio imponente iluminava a rua com letreiros discretos, guardas na entrada e carros caros chegando a todo instante.

Sofia olhou ao redor, intimidada.

— Eu nunca entrei num lugar assim. — confessou, ajeitando a bolsa no ombro.

Eloise também observava, desconfortável.

— É um clube exclusivo. Tem que ter assinatura para entrar… e conseguir uma dessas não é nada fácil. — franziu o cenho, desconfiada. — Mas por que a Emma mandou a gente vir justamente aqui?

Nathalia pegou o celular e conferiu pela terceira vez o endereço.

— Tá certo, Eloise. — garantiu. — É exatamente aqui. Agora, o que essa louca tá aprontando, eu não faço ideia.

— Ricardo Rocha?! — Eloise levou a mão à boca. — Emma, meu Deus!

Sofia arregalou os olhos, a voz quase um grito.

— O dono da maior fábrica de chocolate da Cidade Norte e região?? Você… você é a princesinha do cacau?!

Emma riu, meio sem jeito.

— Odeio esse apelido.

Nathalia olhou de uma para outra, perdida, mas já sacando a importância.

— Eu posso não morar aqui há muito tempo, mas até eu sei a fama do “rei do cacau”.

Emma ajeitou o cabelo, resignada.

— Pois é. Esse “rei” é meu pai.

Nathalia estreitou os olhos, chocada.

— Eu conheço ele. Há muito tempo atrás eu fiz uma entrevista com ele, com a minha turma da faculdade. O homem era tipo… intocável.

— E? — Emma arqueou a sobrancelha, desconfiada.

Nathalia deu um sorriso de canto, quase provocativo.

— E que homem, viu? — disse, cruzando as pernas. — Inteligente, frio… mas aquele olhar… hum, até hoje lembro do jeito que ele me deixou sem graça.

Eloise arregalou os olhos, rindo:

— Nathalia!

— Ué, falei a verdade. — ela ergueu os ombros, divertida. — Não é todo dia que alguém te olha como se enxergasse além da sua pele.

Emma revirou os olhos, emburrada.

— Ai, credo, Nathalia! Você tá falando do meu pai.

— Relaxa, cinderela. — Nathalia piscou, rindo. — Só tô dizendo que ele tem presença. Isso é inegável.

O comentário rendeu gargalhadas, mas também deixou no ar uma fagulha. Certos segredos, quando revelados, não têm volta.

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