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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 232

Rostos e Máscaras

O elevador abriu com um som suave, e Eloise desceu até o saguão.

O ambiente ainda estava cheio — o som dos passos, do telefone tocando e das portas automáticas criando uma rotina quase hipnótica.

Ela foi direto até o balcão da recepção.

— Obrigada, Maria. — disse, pegando o celular esquecido.

— De nada, senhora Nogueira. — respondeu a recepcionista, sorrindo.

Eloise ajeitou a bolsa no ombro e se virou para o elevador.

Mas antes que desse o primeiro passo, uma voz familiar chamou atrás dela:

— Oi, Elô! Tudo bem? Tá sumida.

Ela se virou, surpresa.

— Oi, Lucas. — respondeu com um sorriso polido. — É… tô trabalhando muito.

Ele se aproximou, o olhar fixo demais, o sorriso travado.

— Você tá bem… depois do acidente? — perguntou, a voz baixa, quase ensaiada.

Eloise hesitou por um instante.

Havia algo estranho na forma como ele a observava — como se estivesse tentando decifrar algo.

— Sim, tô bem. — respondeu, tentando manter o tom leve. — Foi só um susto, nada demais.

Antes que Lucas pudesse dizer mais alguma coisa, a porta de vidro da entrada se abriu com força.

Um homem entrou apressado, a postura imponente e o olhar atento.

José Monteiro.

— Eloise! — chamou, ao se aproximar com um sorriso breve. — Tudo bem?

— Senhor José! — disse ela, surpresa e um pouco aliviada. — Tudo ótimo. E o senhor?

— Estou bem, obrigado. — respondeu ele, analisando o ambiente com atenção. — Está tudo certo por aqui?

— Sim, tudo tranquilo. — respondeu Eloise, sorrindo.

Mas o olhar de José desviou, pousando sobre Lucas.

Os olhos dele se estreitaram.

— Quem é esse? — perguntou, o tom firme. — Está te incomodando?

Lucas pareceu ser pego de surpresa.

O sorriso que antes tentava parecer amistoso se desfez por um instante, revelando algo contido — um lampejo de raiva que logo se apagou.

— Não, senhor José. — interveio Eloise, rapidamente. — Esse é o Lucas Castro, do setor de TI.

José o encarou por alguns segundos que pareceram longos demais.

— Lucas Castro… — repetiu, pensativo. — Eu conheço você?

Lucas engoliu seco, o rosto começando a suar.

— N-não, senhor. Acho que não. Talvez meu rosto seja comum… dá essa impressão.

O tom era calmo, mas os olhos diziam o contrário.

Havia raiva — e algo mais sombrio, escondido por trás da máscara.

José manteve o olhar por mais um instante, até assentir lentamente.

— Entendi.

Voltando-se para Eloise, retomou o tom leve:

— Me acompanha até a sala do Augusto.

— Claro, sem problemas. — respondeu ela, ainda estranhando a tensão no ar.

José Monteiro ajeitou o paletó, prestes a seguir em direção ao elevador ao lado de Eloise.

Antes que as portas se abrissem, Lucas falou rápido, com um sorriso nervoso:

— Eu… eu vou de escada. — disse, tentando soar casual. — Preciso sair do sedentarismo.

José virou-se devagar, analisando-o por um segundo a mais do que o necessário.

— Hm. Certo. — respondeu, apenas. — Boa escolha.

Eloise murmurou baixo:

— Estranho…

O olhar dele permaneceu firme por um instante, pesado — como se algo em Lucas o incomodasse, mesmo que ele ainda não soubesse o quê.

Lucas desviou o olhar, fingindo ajeitar o relógio no pulso.

O suor já escorria pela nuca.

O maxilar contraído, os punhos cerrados, o olhar frio e vazio.

O sorriso falso desapareceu de vez.

E, quando ninguém mais olhava, os olhos dele mudaram — escuros, intensos, perigosos.

— Um dia, velho… um dia você vai me reconhecer. — murmurou, quase inaudível, antes de virar as costas e desaparecer pela porta das escadas.

___

O elevador subia em silêncio.

O som suave do motor era a única coisa que quebrava o clima denso entre os dois.

Eloise observava os números mudarem no painel, tentando disfarçar o desconforto.

José Monteiro, ao lado dela, mantinha a postura impecável, o olhar distante, como se travasse uma conversa consigo mesmo.

Por alguns segundos, nenhum dos dois disse uma palavra.

Então ele respirou fundo e falou, a voz baixa, porém carregada de sinceridade:

— Eloise… eu queria me desculpar.

Ela o olhou, confusa.

— Desculpar?

— Sim. — respondeu ele, fitando o chão por um instante antes de encará-la. — Eu a julguei mal no começo. Quando soube do envolvimento entre você e o Augusto, pensei que fosse apenas mais uma história de interesse… e fui injusto.

Eloise ficou em silêncio, surpresa com a honestidade dele.

José continuou, a voz firme, mas com um tom de arrependimento raro de se ouvir nele:

— Eu vi o quanto você esteve ao lado dele, mesmo quando ele não merecia. E o quanto o meu filho mudou desde que você entrou na vida dele. — suspirou. — Então… me desculpe.

Eloise sentiu um nó na garganta.

Aquele homem, tão duro e orgulhoso, reconhecendo o erro, era algo que ela jamais imaginara presenciar.

Ela sorriu, leve, sincera.

— Senhor José… não tem o que desculpar. — disse suavemente. — Eu entendo. O senhor só queria proteger o Augusto.

Ele assentiu, o olhar abrandando.

— É. — murmurou. — E fico feliz por ter me enganado.

O elevador parou com um leve solavanco. As portas se abriram, e uma luz suave invadiu o espaço.

— Um filho?

José assentiu lentamente.

— Sim. Um filho que nunca soube da verdade.

— E a mãe é sua ex namorada? — perguntou Augusto, já prevendo o nome.

— Sim, Márcia. — respondeu José, baixo. — Ela se casou depois, com um homem influente: Antônio Mello.

Augusto franziu o cenho.

— Mello?

José levantou o olhar, firme, mesmo com a voz embargada.

— Lorenzo Mello. — disse, pausadamente. — Ele é seu irmão, Augusto.

O mundo pareceu parar por um instante.

Augusto ficou imóvel, sem reação.

— Está brincando comigo. — disse, num tom entre raiva e incredulidade.

— Queria estar. — respondeu José, a voz carregada. — Antônio Mello me odeia desde o dia em que me casei com sua mãe. Ele sempre teve uma paixão doentia por Cecília — e saber que aquele menino não era sangue dele virou o veneno que ele alimentou por toda a vida.

Augusto apertou as mãos contra a mesa, tentando conter a fúria.

— Isso é sério demais pra ser dito agora, pai.

— Eu sei. — murmurou José. — Mas você precisa entender: o que está acontecendo — Antônio quer vingança e está trabalhando com um tal de Louvre que também quer vingança dos Monteiros.

— Louvre. - Augusto repetiu aquele nome com o amargo na boca.

— Por ódio. — respondeu José, firme. — Antônio perdeu Márcia dentro da própria casa — ela ouviu uma conversa dele e tentou fugir. Depois disso, ele enlouqueceu. E agora… quer nos ver cair, um a um.

Augusto respirou fundo, caminhando até a janela.

A cidade se estendia diante dele, indiferente à avalanche que acabara de desabar sobre seu mundo.

— Então… Lorenzo Mello. — disse, devagar. — O homem que tentou me derrubar… é meu irmão.

José se levantou, a voz baixa e trêmula.

— Filho, escuta o que vou dizer: aquele erro de trinta e quatro anos atrás não define o amor que senti pela sua mãe. Nem o homem que tentei ser depois. Mas você precisa saber que agora… o perigo é real.

Augusto virou-se, o olhar firme, gélido.

— E eu preciso saber até onde isso vai.

José deu um passo à frente, a voz grave e carregada de preocupação:

— Até o limite do ódio, meu filho. Antônio Mello quer a nossa ruína — e o pior é que não faço ideia de quem realmente está por trás do nome Louvre, nem do que esse homem é capaz de fazer.

Augusto manteve o olhar fixo nele, o maxilar trincado.

— Estamos a um passo de descobrir quem é. Então eles vão descobrir que mexeram com a família errada.

O silêncio que se seguiu foi pesado, quase solene.

José abaixou o olhar, com um nó na garganta.

Sabia que aquela revelação mudaria tudo — não apenas o presente, mas também as feridas que Augusto ainda nem sabia que carregava.

Do lado de fora, o relógio da MonteiroCorp marcava nove e quarenta e cinco.

Mas, para pai e filho, o tempo parecia ter parado trinta e quatro anos atrás.

Foi então que o som agudo de um toque vibrou no ar.

O celular de Augusto, sobre a mesa, começou a tocar — a tela iluminando o ambiente silencioso.

Augusto respirou fundo antes de atender.

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