O Sol e a Calmaria
O despertador tocou às sete em ponto, quebrando o silêncio do quarto.
O som insistente preencheu o ar por alguns segundos, até que uma mão sonolenta o silenciou.
Eloise, ainda de olhos fechados, suspirou e se aconchegou mais fundo contra o peito de Augusto.
Ele permaneceu imóvel, observando-a.
O rosto dela estava tranquilo, a respiração lenta,
Por um instante, Augusto esqueceu de tudo — do trabalho, da invasão, dos planos — e apenas ficou ali, sentindo o peso leve do corpo dela em seus braços.
O sol atravessava as frestas da cortina, desenhando faixas douradas pelo quarto.
A luz tocava os lençóis, o rosto de Eloise, e o anel em sua mão, que brilhou suavemente.
Augusto sorriu de leve.
Aquela cena parecia um pedaço raro de paz num mundo que, há dias, só lhe oferecia caos.
Ele afastou-se com cuidado para não acordá-la, vestiu a calça social e seguiu até o banheiro.
A água fria no rosto o trouxe de volta à realidade —
aquela manhã não seria tranquila por muito tempo.
Minutos depois, já pronto, voltou ao quarto.
Eloise ainda estava na mesma posição, o cabelo espalhado pelo travesseiro, uma perna descoberta, o lençol bagunçado.
Augusto se aproximou devagar, o olhar cheio de ternura.
Ajoelhou-se ao lado da cama, inclinando-se para beijar-lhe a testa.
— Vamos, sua preguiçosa. — sussurrou com um sorriso. — O mundo lá fora já acordou.
Eloise resmungou baixinho, puxando o lençol até o queixo.
— Só mais cinco minutos… — murmurou, a voz rouca de sono.
Augusto riu, passando a mão em seu cabelo.
— Se depender de mim, te deixo dormir o dia inteiro. Mas tenho uma reunião cedo… e você prometeu café.
Ela abriu um olho, fingindo indignação.
— Ah, então é chantagem agora?
— Estratégia. — respondeu, divertido. — De guerra.
Eloise sorriu, ainda deitada.
— Então, general Monteiro… me convença a levantar.
Ele se inclinou, a voz baixa, o tom provocante:
— Acho que um beijo de bom dia é um bom começo.
O riso dela preencheu o quarto.
E, por um instante, não havia invasões, segredos ou medo —
só os dois, envolvidos naquela paz que o sol insistia em iluminar.
Mas a paz — ele sabia — nunca durava por muito tempo.
O sol já atravessava as frestas da cortina quando Eloise finalmente conseguiu se levantar.
O corpo ainda estava pesado, mas o olhar firme — o tipo de força que só ela sabia esconder entre o cansaço e o controle.
Augusto, já pronto, a observava da mesa.
O café fumegava em duas xícaras.
— Achei que ia dormir o dia inteiro. — disse ele, com um meio sorriso.
Eloise ajeitou o cabelo, sentando-se à frente dele.
— Depois de ontem… acho que merecia — respondeu, servindo-se de café.
Ele riu de leve, mas o olhar ainda trazia resquícios de preocupação.
— E então, amor… o que aconteceu ontem à noite? O que a Laís descobriu?
Augusto apoiou os cotovelos sobre a mesa, o tom sério voltando ao rosto.
— Alguém invadiu o sistema. — disse, direto. — Laís rastreou parte do acesso, mas pediu um dia pra cruzar os dados e identificar o invasor.
Eloise assentiu, o olhar pensativo. — Ela vai conseguir.
— Eu sei. — respondeu ele, terminando o café. — E quando conseguir… eu vou querer nomes.
O silêncio breve que seguiu foi cortado apenas pelo som dos talheres e o tilintar das xícaras.
Eloise, tentando aliviar o peso no ar, sorriu.
— Pelo menos o café tá ótimo.
— O café sim… mas o dia promete ser longo. — disse ele, levantando-se. — Vamos?
Ela assentiu, pegando a bolsa.
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A MonteiroCorp parecia mais viva naquela manhã — o saguão cheio, o som dos saltos ecoando no mármore, a rotina voltando ao ritmo intenso de sempre.
Logo na entrada, Sofia estava sentada em um dos sofás do hall, folheando uma pasta e tentando disfarçar o nervosismo do primeiro dia.
— Oi, Sofia! — disse Eloise, sorrindo enquanto se aproximava para abraçá-la. — Pronta pra estreia?
— Oi, Elô! — respondeu ela, retribuindo o abraço com um sorriso animado. — Bom dia, senhor Monteiro.
Augusto assentiu educadamente. — Bom dia, Sofia. Seja bem-vinda à equipe.
Assim que chegaram, o telefone começou a tocar.
Eloise olhou para Sofia, sorrindo de canto.
— Vai lá, esse é seu primeiro teste.
Sofia respirou fundo, ajeitou o crachá e atendeu:
— Bom dia, recepção da presidência MonteiroCorp. Sofia falando.
A voz dela saiu firme, profissional, e Eloise cruzou os braços, observando com orgulho.
Alguns segundos depois, Sofia desligou o telefone e virou-se.
— E então? — perguntou Eloise, ansiosa.
Sofia riu. — Era só a Maria, da recepção de entrada. Disse que você esqueceu o celular no balcão lá embaixo.
Eloise suspirou, levando a mão à testa. — Puts… tô tão avoada ultimamente. — riu. — Mas olha, você foi ótima!
Sofia sorriu, um brilho genuíno no olhar.
— Eu estarei ali na minha mesa e a Nathalia na dela. Qualquer coisa, é só gritar. — disse Eloise, divertida.
Caminhou até o elevador, apertando o botão.
Antes de as portas se abrirem, virou-se para Sofia e sorriu:
— Sinta-se em casa, tá? Vou lá resgatar meu celular.
As portas se fecharam lentamente, e Sofia ficou sozinha por um instante, olhando em volta — o novo espaço, o telefone silencioso, o som distante dos passos pelos corredores.
Um misto de empolgação e responsabilidade tomava conta dela.
Era só o primeiro dia… e, mesmo assim, já parecia o início de algo grande.
De repente, a voz de Nathalia ecoou pelo corredor.
— Eloise!
Mas as portas do elevador já haviam se fechado, levando-a para o térreo.
Sofia virou-se, vendo Nathalia se aproximar com passos apressados.
— Ela só foi buscar o celular que esqueceu na recepção. — explicou Sofia, sorrindo.
Nathalia arqueou uma sobrancelha, um sorriso misterioso surgindo no canto dos lábios.
— Andar esquecida, né? — murmurou, parando bem em frente à nova recepcionista. — Pois olha o que eu tenho aqui.
Ela ergueu a mão devagar, mostrando a pequena caixa que segurava.
Sofia levou a mão à boca, surpresa. — Não acredito!
Nathalia apenas sorriu, o olhar travesso e certeiro.
Pois acredite. — disse, num sussurro quase cúmplice. — Porque hoje… a gente tira a dúvida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...