O Minuto Antes da Verdade
Augusto saiu da sala ainda sentindo a conversa pesada com o pai ecoar na mente.
As mãos estavam firmes, mas por dentro algo pulsava — urgência.
Ele caminhou pelo corredor até a área da presidência.
A mesa de Eloise estava vazia.
Ele parou, o olhar fixo por um instante.
Ela nunca se atrasa. Nunca sai sem avisar.
Virou-se e caminhou até a recepção da presidência.
Sofia estava ali — postura impecável, telefone à mão, mas o olhar denunciava nervosismo de primeiro dia.
— Sofia. — chamou ele, a voz firme.
Ela quase derrubou o telefone ao se virar.
— S-senhor Monteiro…
— Onde está a Eloise? — perguntou direto, sem dureza, mas sem rodeios.
Sofia engoliu seco.
— A Eloise… ahm… ela foi… — tentou começar, mas a voz falhou.
Augusto ergueu apenas uma sobrancelha.
Sofia respirou fundo, tentando se recompor.
— Ela foi encontrar a Emma no quinto andar, senhor.
Se o senhor quiser, eu posso ligar e pedir para ela subir.
Augusto não respondeu de imediato.
Ele desviou o olhar para o elevador. Um pensamento lhe atingiu.
" Se Eloise souber que estou indo ao presídio, ela vai querer ir comigo."
E não havia espaço para ela naquele tipo de campo de batalha.
Ele inspirou fundo.
Voltando o olhar para Sofia, falou com calma — mas havia algo sério na voz:
— Sofia… quando a Eloise aparecer, diga a ela que eu fui resolver um problema com o Thomas.
Sofia assentiu, prestando atenção em cada palavra.
— Diga também… — continuou ele — que está tudo sob controle.
E que ela não precisa se preocupar.
Sofia sorriu pequeno, compreendendo o subtexto proteger Eloise sem alarmá-la.
— Claro, senhor. Eu aviso.
O elevador abriu com um ding suave.
Augusto deu dois passos e entrou.
As portas começaram a se fechar.
Mas, antes que se encontrassem, ele olhou diretamente para Sofia — e sua expressão mudou.
Não era o CEO falando.
Era o homem que ama Eloise.
— Sofia… — disse, baixo. — Fica de olho nela, por favor.
Sofia assentiu sem hesitar.
— Vou cuidar dela. — respondeu, firme.
As portas se fecharam.
O elevador desceu.
E, no reflexo do aço, o rosto de Augusto tinha mudado.
Agora, não era mais o noivo.
Nem o diretor.
Nem o filho.
Era o homem que ia para a guerra, para proteger seu império e sua amada.
___
No banheiro do andar da presidência estava silencioso, iluminado pela luz branca suave que refletia no azulejo brilhante.
Eloise e Nathalia entraram juntas.
A porta se fechou atrás delas — e o mundo lá fora ficou em pausa.
Nathalia colocou o teste sobre a pia com a delicadeza de quem manuseia algo perigoso.
Eloise respirou fundo.
— Meu Deus… não acredito que estou fazendo isso no banheiro da MonteiroCorp. — murmurou, levando a mão à testa.
— A vida não espera lugar chique pra acontecer. — respondeu Nathalia, prática. — Anda, mulher. Antes que eu envelheça aqui.
Eloise soltou um riso nervoso.
— Você seria a pior doula do planeta.
— Eu sei. Agora faz xixi logo.
Eloise pegou o teste, entrou na cabine e fechou a porta.
O silêncio se instalou.
Do lado de fora, Nathalia tamborilava os dedos na pia, o coração acelerado sem admitir.
— Nath… — a voz de Eloise ecoou baixinho lá dentro. — Se isso der positivo…
Nathalia apoiou as mãos na pia e respondeu com firmeza:
— Se der positivo… a gente comemora. E depois respira. E depois resolve. Você não tá sozinha. A dinda está aqui.
Silêncio.
Um suspiro.
Depois, o som suave da descarga.
Eloise saiu, o teste nas mãos — ainda virado ao contrário, sem que nenhuma das duas tivesse visto o resultado.
Ela colocou o teste sobre a pia entre elas.
As duas ficaram olhando para ele como se fosse uma bomba relógio.
— Precisa esperar três minutos. — disse Eloise, a voz quase num sussurro.
— Três minutos. — repetiu Nathalia, engolindo seco. — Fácil.
Não era.
As duas ficaram lado a lado, apoiadas na pia, olhando o relógio do celular.
Os ponteiros digitais pareciam se mover mais devagar.
O som suave do ar-condicionado fazia o silêncio parecer ainda mais alto.
— Você tá tremendo. — Nathalia murmurou, observando as mãos de Eloise.
— Eu sei. — respondeu Eloise, com um sorriso pequeno e inseguro. — E você também.
Nathalia olhou para as próprias mãos.
Estavam tremendo.
As duas riram — nervosas, cúmplices, desamparadas e, ao mesmo tempo, fortes juntas.
— Eu só… — Eloise começou, mas a voz falhou. — Eu nem sei o que pensa.
Nathalia colocou a mão no ombro dela.
— Sente. Não pensa agora. Só sente.
Outro minuto passou.
O teste estava ali.
Virado para baixo.
Esperando.
E então…
— Investigador Thomas Alves. — disse ele, sem sorriso. — Não fui informado de nenhuma ordem judicial para interrogatório hoje.
Thomas não diminuiu o passo.
A voz dele saiu fria, limpa, cortante:
— Não é interrogatório. É uma conversa restrita, vinculada a um processo em sigilo.
O diretor cruzou os braços.
— Mesmo assim, eu preciso saber o propósito da visita.
Thomas parou a meio metro dele — perto o bastante para que o diretor percebesse que não estava falando com um policial comum.
— Doutor… — Thomas começou, devagar, como quem explica algo óbvio. — Se eu tivesse permissão para lhe dizer, não seria sigilo de justiça.
O diretor franziu o cenho.
Augusto deu um passo à frente, o terno alinhado, a expressão impenetrável.
— Colocar dificuldades agora pode ser interpretado como obstrução. — disse, num tom calmo — e muito mais ameaçador por isso.
O diretor engoliu seco.
Thomas completou:
— Nós não vamos fazer perguntas sobre o presídio.
Não vamos expor ninguém.
Não vamos interferir na rotina.
Só precisamos falar com o interno Wesley — e isso é um direito garantido a ele
Silêncio.
Tensão.
O diretor cedeu primeiro.
— Vou autorizar a sala de visitas reservada. — disse, cansado, sinalizando para um guarda. — Levem o interno 147B.
Thomas assentiu, sério.
— Obrigado.
---
Eles seguiram pelo corredor até uma sala isolada.
Mesa de metal. Duas cadeiras. Luz fluorescente fria.
O silêncio ali dentro parecia mais pesado.
Augusto apoiou as mãos na mesa.
— Quando ele entrar… — murmurou — não vamos perder tempo.
Thomas concordou.
— Ele sabe algo que ninguém mais sabe. E se Daniel morreu… é porque isso vale muito.
A porta abriu.
O eco dos passos do interno se aproximando preencheu a sala antes que ele fosse visto — lento, pesado, como alguém que já aprendeu a carregar o próprio destino.
O guarda entrou primeiro.
Depois, Wesley.
Magro. Olheiras profundas. Um rosto que já tinha visto medo demais.
Ele se sentou devagar.
Os olhos dele encontraram os de Augusto.
E não desviaram.
— Investiga Thomas e o senhor é Augusto, certo? — Wesley murmurou. — Quem procurou vocês?
Augusto inclinou-se para frente, a voz baixa:
— Prazer Augusto Monteiro. Sua esposa Paula nos procurou, vamos garantir a segurança dela e a sua também.
Wesley respirou fundo.
As mãos tremiam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...