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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 32

Eloise voltou à mesa com elegância. Tinha trocado de roupa no caminho do toalete — vestia novamente sua saia lápis preta e a blusa branca impecável, o rosto sereno, as mãos limpas e os cabelos novamente presos com precisão. Sentou-se como se não tivesse percebido o clima levemente alterado que pairava no ar.

— Tudo certo? — perguntou, educada.

— Perfeitamente — respondeu Heitor com um sorriso simpático demais, que Augusto achou irritante.

Ela sorriu de volta, discreta, e pegou sua xícara de café. O sabor quente e amargo do café ajudava a equilibrar o desconforto de ser observada por dois homens — mas por motivos completamente diferentes.

Augusto, calado, apenas observava. As mãos firmes no braço da cadeira, o olhar focado nos gestos pequenos de Eloise. A maneira como ela cruzava as pernas, como segurava a xícara com delicadeza, como se esforçava para parecer.

Profissional. Distante. Irretocável.

E por algum motivo... aquilo incomodava mais do que ele esperava.

Os últimos pontos foram alinhados e os detalhes discutidos com precisão. A conversa entre Augusto e Heitor seguiu firme, enquanto Eloise registrava cada observação relevante. Ao final, não houve assinatura imediata — apenas um acordo verbal, selado com um aperto de mão firme.

— Assim que os contratos forem finalizados, marcamos a reunião para assinatura — disse Augusto, seco, mas profissional.

— Combinado — respondeu Heitor, com um sorriso satisfeito.

Eloise se despediu com um leve aceno de cabeça. Augusto apenas assentiu, já caminhando em direção à saída.

Heitor ainda arriscou um último comentário, o olhar deslizando para Eloise:

— Foi um prazer, senhorita Nogueira. Espero vê-la novamente em breve.

Ela sorriu educadamente.

— O prazer foi meu, senhor Reis.

Mas Augusto já havia seguido adiante, com os ombros tensos e a pressa de quem queria deixar aquele lugar o mais rápido possível.

No carro, o silêncio era espesso.

Eloise estava ao lado, o olhar voltado para a janela, o reflexo da luz batendo em seu rosto com suavidade. Augusto a observava pelo canto dos olhos. Ainda sentia o gosto do vinho... e a imagem da boca dela bebendo a taça continuava viva demais na memória.

Mas o pior não era o desejo.

Era a raiva contida.

A raiva de sentir ciúmes. A raiva de não conseguir afastá-la da mente nem por um segundo. A raiva de perceber que, mesmo tendo dito que era apenas sua secretária... ele a queria como algo muito além disso.

O carro parou em frente ao prédio da Monteiro Corp. O motorista desceu para abrir a porta, mas Augusto já havia saído. Eloise pegou suas coisas com calma e o seguiu. Ele não a esperou.

Entraram no saguão sem trocar palavras. O elevador os aguardava. Assim que as portas se fecharam, o silêncio virou uma cápsula de tensão.

Eloise apertou o andar da presidência. Augusto estava ao lado, imóvel. As mãos nos bolsos. O maxilar tenso.

Ela sentia os olhos dele nela, mas não queria encarar. Não agora.

Mas ele falou.

Baixo. Rígido.

— Você não deveria ter usado aquela roupa.

Ela franziu a testa, surpresa.

— Vai começar de novo? Foi você quem mandou eu trocar.

Augusto deu um passo à frente. O bastante para que ela sentisse sua presença. O ar pareceu rarefeito.

Augusto a pressionou contra a parede de aço frio, uma das mãos em sua cintura, a outra segurando a nuca. O beijo era domínio e entrega. Raiva e desejo. Fúria e necessidade.

Quando se afastaram, foi por pura falta de ar.

Os olhos dele ainda estavam cravados nos dela. E pela primeira vez... não havia máscara alguma.

Só verdade crua.

— Isso não devia ter acontecido — disse ele, em um sussurro, como se tentasse convencer a si mesmo.

Eloise, com a respiração descompassada, limpou os lábios com o dorso da mão. O coração disparado.

— Então por que aconteceu?

Ele não respondeu.

Porque não havia desculpa.

As portas do elevador se abriram.

Ela saiu primeiro, tentando manter a postura.

Sem olhar para trás.

Mas por dentro... o caos tinha nome e sobrenome:

Augusto Monteiro.

Por sorte, Melissa — a moça da recepção — não estava por perto para testemunhar o que acabara de sair daquele elevador.

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