Capítulo 33
Eloise voltou à sua mesa com passos calculados, o coração ainda tentando desacelerar.
O batom discretamente reaplicado escondia os vestígios do caos que havia sido o elevador.
Sentou-se com elegância, os olhos na tela, os dedos sobre o teclado…
Mas a mente, essa estava longe.
Augusto seguiu direto para sua sala. A expressão era a mesma de sempre — fria, inatingível — mas por dentro, ele fervia. O gosto do beijo ainda estava presente. O toque dela em sua nuca, a resposta imediata, intensa. Aquilo não deveria ter acontecido. Mas aconteceu. E, agora, o silêncio entre eles parecia falar mais do que qualquer palavra.
Ambos tomaram a mesma decisão: esconder o que sentiam atrás do trabalho.
Eloise se afundou em tarefas: revisou e-mails, atualizou a agenda, leu documentos com atenção redobrada. Precisava manter o controle. Precisava esquecer que, poucos minutos antes, tinha sido beijada como se fosse única. Como se fosse dele.
Augusto, entre um relatório e outro, não conseguia evitar. Pensava na boca dela. No perfume. No modo como ela se movimentava com segurança e charme, como tinha dominado a partida de golfe, como Heitor a elogiava com olhos demais.
O ciúme voltava, incômodo, mordaz. E, com ele, a raiva. Não de Heitor — embora também.
Mas, principalmente, de si mesmo.
Por tê-la colocado naquela situação.
Por não suportar vê-la brilhar tanto... e não poder tocá-la como queria.
Às 14h, Eloise bateu à porta da presidência e entrou com uma bandeja de café. A voz saiu firme, mas os olhos evitavam os dele.
— Está tudo pronto para a reunião das quinze. Aqui está a pauta e os últimos relatórios — disse, depositando a pasta sobre a mesa.
Augusto ergueu os olhos e assentiu, lacônico.
— A videoconferência será na sala grande. Organize tudo lá.
— Claro — respondeu ela. E, antes de sair, hesitou. — Senhor Monteiro... será que posso tirar trinta minutos agora à tarde? Não tive tempo para almoçar, e queria ligar para o meu pai, só para saber se está tudo bem.
Ele demorou um segundo antes de responder.
— Pode.
Ela agradeceu com um sorriso contido, quase imperceptível, e saiu com passos mais leves.
— Thiago, vou até a copa tomar um café rápido com a Eloise. Em vinte minutos tô de volta. Pode ser?
Do outro lado, ele respondeu rindo:
— Se o café tiver bolo da lanchonete da esquina, tá mais do que liberado. Mas guarda um pedaço pra mim.
As duas riram e saíram da sala conversando em direção à copa.
Enquanto isso, em silêncio, da porta entreaberta de sua sala, um certo CEO as observava com o cenho franzido e os pensamentos nela.
O bolo, o sorriso, a leveza no olhar dela.
E algo dentro dele doía.
Porque sabia — por mais que tentasse negar — que estava perdido.
E o problema…
É que ele nem queria ser salvo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...