Capítulo 36
O relógio marcava 17h40 quando Augusto, com a postura impecável de sempre, passou por ela.
— Amanhã, no primeiro horário, quero o relatório das finanças da filial do Rio — disse, firme. — Organize tudo para a viagem.
Seguiu para o elevador sem esperar resposta.
Eloise, que já desligava o computador e organizava documentos para ir embora, apenas anotou na agenda, como quem grava mentalmente um lembrete importante.
Ao chegar em casa, abriu a porta devagar, sentindo o corpo inteiro protestar depois de um dia que parecia não ter fim. A primeira coisa que a recebeu não foi o silêncio da casa, mas o cheiro familiar de comida caseira.
Na cozinha, o pai estava de avental, mexendo a panela com um sorriso orgulhoso.
— Chegou bem na hora — disse ele, servindo o arroz e o strogonoff com a naturalidade de quem sabe cuidar. — Fiz do jeito que você gosta.
O aroma cremoso, misturado ao cheiro de batata-palha recém-aberta, trouxe memórias rápidas da infância — almoços de domingo, risadas da mãe, a mesa pequena mas sempre cheia.
— Pai… isso tá com um cheiro incrível — ela comentou, se aproximando e dando um beijo na bochecha dele.
— Senta. Hoje você não faz nada, só come. — Ele sorriu, aquele sorriso que, por si só, já parecia tirar um pouco do peso que ela carregava.
Sentaram-se à mesa. A conversa foi leve: lembranças da mãe, um comentário sobre um vizinho antigo, e até uma história engraçada de quando ela era pequena e quis “ajudar” a mãe na cozinha, derrubando meio pote de creme de leite no chão.
Depois do jantar, ele se levantou e avisou:
— Vou pro quarto ler um pouco. Não demora para subir.
— Pode deixar. Eu cuido daqui.
Ela recolheu os pratos, lavou com calma, secou a pia, passou um pano na mesa. A cozinha ficou silenciosa, apenas o som da água e do pano contra a madeira preenchendo o espaço.
Quando terminou, foi direto para o banheiro. Tirou a roupa, ligou o chuveiro e deixou a água quente cair sobre os ombros. Fechou os olhos, e o dia começou a se misturar com a noite que ela queria esquecer.
A lembrança do toque dele no elevador.
O calor das mãos na sua cintura.
O olhar firme na reunião.
O toque rápido, mas cheio de corrente elétrica.
O cheiro amadeirado que ficava no ar quando ele passava perto.
Sorriu sem querer. E, antes que pudesse se dar conta, o sono chegou. Eloise adormeceu com aquela lembrança grudada na pele
...
Os dias seguintes passaram em ritmo acelerado. Ela se manteve ocupada com o que sabia fazer de melhor: planejar, organizar, prever cada detalhe. Entre uma reunião e outra, confirmou a hospedagem no Rio, alinhou o cronograma com a filial, reservou transporte, atualizou relatórios e revisou as pautas com precisão.
Também cuidou da casa, ajudando o pai nas pequenas tarefas diárias, sem deixar que ele percebesse o quanto estava cansada. O sorriso dele era combustível suficiente para continuar.
Mas, por trás de toda a eficiência, havia um peso silencioso. Cada reserva feita, cada e-mail respondido sobre a viagem, trazia junto a lembrança de que estariam sozinhos.
Os dias correram rápido. E, antes que percebesse, a quarta-feira chegou — trazendo com ela a viagem que ela tanto temia… e, de alguma forma, também desejava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...