Sofia acordou cedo.
Preparou o café no automático, ainda com os pensamentos dispersos. O cheiro forte ajudou a ancorá-la no presente. Tomou banho, se arrumou sem pressa, escolheu uma roupa simples, mas elegante — como sempre fazia quando precisava se sentir no controle.
Dirigiu até o escritório observando a cidade acordar.
Pouco antes das nove, o telefone tocou.
— Doutora Sofia? — a voz de Alana soou cautelosa. — O investigador Thomas está aqui. Posso autorizar a entrada?
Sofia olhou para o relógio, surpresa.
— Pode mandar entrar. — respondeu, tentando manter a naturalidade.
Alguns segundos depois, a porta se abriu.
Thomas entrou.
E parou.
Olhou Sofia como quem registra detalhes que não quer esquecer.
O cabelo estava mais longo, os fios ondulados soltos sobre os ombros. Os óculos davam a ela uma sensualidade silenciosa — não provocante, mas poderosa. Aquela que só quem conhece sabe enxergar.
Sofia sentiu o impacto da forma como ele a olhava.
As borboletas vieram sem pedir licença.
A mente ficou em branco por um segundo longo demais.
Thomas foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Ruivinha… — começou, com a voz baixa, firme. — Vou ser direto.
Ela sustentou o olhar, ainda sem conseguir falar.
— Tinha algo quebrado em mim. — disse. — Tinha algo errado. Uma ferida aberta.
Deu um passo à frente, mas manteve distância.
— Mas não tem mais.
Ele respirou fundo.
— As mágoas que eu carregava… eu resolvi.
— Não nego o que vivi. Mas não sangra mais.
— Estou limpo, Sofia.
Ela sentiu o peito apertar.
— Se você quiser seguir sozinha, eu respeito.
— Se quiser que eu fique… eu fico.
— Se quiser que eu espere… eu espero.
A voz dele não tremia. Não implorava.
— Sem fuga. Sem silêncio.
— Sem te proteger de você.
— Sem te proteger de mim.
Ele a encarou, sério.
— Somos parceiros. Amantes. Uma dupla.
— Você é minha dupla. Em todos os momentos. Até nos perigosos.
Thomas não esperou resposta.
Virou-se.
Antes de fechar a porta, lançou um último olhar por cima do ombro.
— Tenha um bom dia, ruivinha.
A porta se fechou.
Sofia ficou parada no meio da sala, tentando processar tudo.
Então… ela riu.
Riu de leve no começo.
Depois riu mais alto.
Riu até sentir os olhos marejarem.
— Como eu amo um doido desses… — murmurou para si mesma, balançando a cabeça.
Riu ao lembrar.
— E agora, se eu quiser responder… vou ter que ir atrás. — respirou fundo. — Ô Jesus… esse homem é doidinho.
Mas, no fundo, ela sabia.
Era exatamente isso que sempre a fez ficar.
Sofia voltou ao trabalho.
Porque, sobre Thomas, ela já tinha sua resposta.
O que restava agora… era o caso.
Horas depois, sozinha no escritório, ela revisava imagens de câmeras do cais. Barcos chegando. Homens descarregando. Movimentos aparentemente aleatórios. O tipo de coisa que a maioria das pessoas assiste esperando um erro gritante.
Sofia procurava outra coisa.
Padrão.
Ela pausou o vídeo.
— Espera… — murmurou para si mesma.
Voltou alguns segundos.
Depois minutos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...