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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 366

Na delegacia, Thomas entrou como um homem em guerra.

Nem passou pela própria sala.

Foi direto para o monitoramento.

— Avenida Central, sentido leste. — disse para a agente responsável, já apoiando as mãos na bancada. — Puxa as câmeras do trecho entre a saída da Rogue e o viaduto.

A policial digitou rápido.

Telas acenderam.

Imagens surgiram.

E o mundo de Thomas encolheu até caber dentro de um monitor.

Na tela, a viatura de Sofia apareceu — rápida demais, decidida demais. A perseguição cortava a madrugada como um grito.

Então veio o momento.

A freada.

O impacto.

O capotamento.

Thomas não piscou.

O carro virou duas vezes e parou de cabeça para baixo.

— Não… — a voz dele saiu baixa, mas afiada.

A imagem continuou.

Um carro escuro encostando.

Um homem descendo — capanga. Movimentos frios, certeiros. Sem hesitação.

Ele correu até a viatura.

Abriu a porta.

Cortou o cinto.

Sofia caiu, ainda lutando, tentando se erguer mesmo machucada.

Thomas deu um passo para frente, instintivo, como se pudesse atravessar a tela.

O capanga a puxou.

Arrastou.

E então jogou Sofia dentro do porta-malas.

O som não existia.

Mas Thomas ouviu mesmo assim.

Ouviu o metal batendo.

Ouviu o pânico preso.

Ouviu a própria falha.

— Merda… — ele explodiu, virando o rosto. — Merda, Sofia…

A policial congelou, olhando para ele.

Thomas bateu a mão na bancada, o maxilar duro.

— Por que você fez isso? — murmurou, mais para si do que para qualquer um. — Você devia ter ficado na sua posição.

Ele respirou fundo, tentando achar lógica no caos.

— Puxa o rastreio do carro. Modelo. Placa. Qualquer coisa.

A agente ampliou, melhorou contraste, tentou “limpar” a imagem.

— Aqui. — ela apontou. — Modelo confirmado… e essa placa é parcial, mas dá pra fechar com o sistema.

Thomas já estava um passo à frente.

— Reporta pra rodoviária. Pra todas as barreiras. Agora. — ordenou, com voz de comando. — E manda alerta nos pedágios.

Ele observou a tela de novo.

A imagem do carro levando Sofia correu por mais alguns quarteirões.

Mais duas câmeras.

Depois uma rotatória.

E então…

Nada.

Sumiu.

Como se a cidade tivesse engolido aquele veículo.

Thomas sentiu o sangue gelar.

— Ela tá ferida. — disse, firme.

Silêncio.

Do corredor, o caos da delegacia só aumentava. Pessoas falando ao mesmo tempo. Rádio estourando. Teclas. Passos.

E a cabeça de Thomas continuava presa naquele porta-malas.

Horas passaram.

A tensão não diminuiu — virou peso.

E o peso virou culpa.

A culpa virou fúria.

Quando o relógio marcou 7h00, um policial entrou rápido na sala.

— Investigador Alves… olha a TV. Tá saindo matéria sobre a operação.

Thomas virou.

A tela mostrava o rosto de Caio Xavier — sério, direto, voz de quem sabia o tamanho do que estava dizendo.

— Aqui é o jornalista Caio Xavier. Trago informações sobre a operação realizada por volta de meia-noite e quarenta no cais. A polícia agiu para desarticular uma quadrilha de tráfico infantil e exploração sexual. A chefe do esquema, Nicole Mendes, está foragida.

A foto de Nicole surgiu na tela.

Thomas fechou o punho.

Caio continuou, sem desviar:

— A advogada Sofia Valente, que cooperava ativamente com a investigação — e que teve seu nome injustamente associado ao caso — foi sequestrada durante a operação.

E então…

O vídeo.

O exato vídeo da câmera de rua.

A perseguição.

O capotamento.

O capanga.

O porta-malas.

Em rede.

O mundo inteiro assistindo o que Thomas não conseguiu impedir.

— Informações confirmam que havia um plano em andamento com investigadores do caso — mas a situação saiu do controle quando os capangas protegeram Nicole e executaram a retirada dela com sua próprias vidas.

Em segundos, o vídeo já estava em todos os portais.

E o nome Karol Trancoso começou a circular.

Mas não do jeito que ela esperava.

Não como “furo”.

Como veneno exposto.

Thomas caminhou até a própria sala como um homem atravessando neblina.

Entrou.

Fechou a porta.

Sentou na poltrona e ficou imóvel.

O vídeo repetia na cabeça dele como uma tortura.

A freada.

O capotamento.

O porta-malas.

E a mesma frase voltava, martelando, martelando, martelando:

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