Sofia acordou devagar.
Não por dor.
Mas pela mudança no ar.
O cheiro não era de hospital. Nem de carro. Nem de rua.
Era fechado. Antigo. Umidade misturada com metal.
Ela piscou algumas vezes até a visão se ajustar.
Estava sentada em uma cadeira, as mãos presas à frente. Não com força excessiva — o suficiente para impedir movimentos bruscos. O local era escuro, iluminado apenas por uma lâmpada pendurada no teto, oscilando levemente.
Sofia respirou fundo.
Não entrou em pânico.
Pânico era exatamente o que esperavam dela.
Ela sentiu o peso frio do pingente contra a pele. Ainda estava ali.
A porta se abriu.
Passos firmes ecoaram no concreto.
Nicole entrou.
Bem vestida. Calma. O rosto impecável, como se estivesse indo para uma reunião — não para um cativeiro.
— Bom dia, doutora Sofia Valente. — disse, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Dormiu bem?
Sofia ergueu o olhar devagar.
— Já estive em salas piores. — respondeu. — E com gente mais inteligente.
Nicole inclinou a cabeça, analisando.
— Você realmente acredita que está no controle aqui?
— Não. — Sofia disse. — Mas sei que você também não está.
Nicole deu dois passos à frente.
— Você me subestimou. — falou, em tom baixo. — Achou que bastava inteligência jurídica. Que bastava enxergar padrões. Que bastava ter o investigador apaixonado ao seu lado.
Sofia sorriu de canto.
— Não. — corrigiu. — Eu só contei com a sua vaidade.
O sorriso de Nicole se apagou por um segundo.
— Você virou um problema. — disse. — Um grande problema. E problemas… são eliminados.
— Não hoje. — Sofia rebateu. — Hoje você precisa de mim viva.
Nicole suspirou, como se estivesse cansada.
— Você é moeda de troca. — explicou. — Vou negociar uma passagem segura para fora do país. Quando estiver longe… talvez eu diga onde você está.
Fez uma pausa.
— Talvez não viva.
Sofia sustentou o olhar.
— Você acha mesmo que vai conseguir? — perguntou, firme. — Então tenta.
O tapa veio rápido.
Seco.
Não forte o suficiente para machucar — mas calculado para humilhar.
A cabeça de Sofia virou para o lado.
Ela respirou fundo.
Voltou o olhar para Nicole.
Sem lágrimas.
Sem medo.
Nicole a encarou por alguns segundos, irritada por não ter conseguido a reação esperada.
— Aproveite o tempo que tem. — disse, fria. — Ele não vai chegar a tempo.
Virou-se e saiu, batendo a porta.
O silêncio voltou.
Mas Sofia não estava sozinha.
Ela sabia.
Na delegacia, o clima era de tensão controlada.
Thomas estava em pé diante do painel digital quando o alerta soou.
Um bip curto.
Depois outro.
Ele congelou.
— Tenho a localização dela. — disse, sem elevar a voz.
Todos na sala se viraram.
Thomas aproximou-se da tela, ampliando o mapa.
Um ponto piscava em vermelho.
Fixo.
— Rastreadores ativos. — confirmou. — O colar.
Alex respirou fundo.
— Você tinha razão, ela tinha um plano.
Antes que Thomas respondesse, Nilson se aproximou.
— Investigador… a Bruna quer falar com você.
Thomas fechou os olhos por um segundo.
— Claro que quer. — murmurou.
Virou-se para Nilson.
— Aqui está a localização da Sofia. — disse, apontando. — Vocês dois estude a área. Entradas. Saídas. Rotas possíveis. Quando eu voltar, montamos um plano rápido e preciso. Sem erro.
— Entendido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...