Capítulo 38
O relógio marcava meio-dia quando o jatinho pousou na cidade do Rio. O sol brilhava forte sobre o asfalto da pista exclusiva do aeroporto, e o calor característico da cidade já se fazia presente.
Na saída, um motorista de terno claro e óculos escuros aguardava com a porta traseira do carro já aberta. Assim que avistou Augusto Monteiro, fez um leve aceno de cabeça. Eloise, logo atrás, segurava a pasta com os documentos e o tablet firmemente, mantendo a postura.
No carro, o ar-condicionado foi um alívio imediato. Eles se acomodaram nos bancos traseiros.
— O compromisso começa às 15h — disse Eloise, com a voz firme e o olhar voltado para o vidro. — O senhor Fernandes preferiu não nos encontrar na sede da empresa. Foi decisão dele.
Augusto virou-se ligeiramente em sua direção, demonstrando atenção.
— Então?
— Providenciei tudo para que a reunião ocorra na cobertura do hotel — continuou ela, sem hesitar. — Reservei o espaço com antecedência. Há uma sala apropriada com estrutura de escritório e privacidade para discutir tudo sobre a auditoria.
Augusto não disse nada de imediato. Apenas olhou para ela por um segundo a mais que o normal, como se estivesse avaliando algo além da resposta.
— Sua refeição estará à sua espera. O hotel disponibilizou uma cozinheira exclusiva para cuidar disso. Será servido assim que chegarmos.
Augusto assentiu levemente, sem esboçar emoção.
Ao chegarem no hotel, foram recebidos com discrição pela gerência. Elevadores privativos os conduziram diretamente à cobertura — moderna, espaçosa, com vista para o mar e uma decoração elegante em tons claros.
Eloise entrou logo atrás, fazendo uma rápida conferência visual de tudo. A mesa estava arrumada com louças finas, as pastas já estavam separadas no aparador, e a funcionária responsável pela refeição finalizava os detalhes na cozinha anexa.
— Senhor Monteiro, está tudo conforme planejado. Seu quarto é essa suíte aqui. — Ela apontou para uma porta à esquerda. — E eu ficarei no andar de baixo. Reservei um quarto simples para mim.
Augusto se virou devagar para ela, franzindo ligeiramente a testa.
— Você vai ficar onde?
— No andar de baixo. Achei que fosse mais adequado…
Ele deu dois passos à frente, parando próximo demais. O tom ainda era contido, mas os olhos estavam mais escuros.
— Senhorita Nogueira... você é minha secretária executiva. Precisa estar onde eu estiver. Disponível, a qualquer hora. — Ele deu mais um passo, diminuindo ainda mais a distância. — Vai ter que ficar aqui.
Eloise ergueu o queixo, sem recuar, mesmo sentindo o calor subir pelo pescoço.
— Aqui na cobertura?
— Exatamente. — A voz dele saiu baixa, quase rouca. — Está com medo, senhorita Eloise?
Será que só ele havia perdido o controle naquela noite?
Os olhos traíam sua concentração sempre que ela umedecia os lábios com o vinho. A imagem dela, tão perto, naquele espaço intimista, era como um gatilho constante.
Nenhum dos dois tocou no assunto da proximidade forçada.
Nenhum dos dois falou sobre a noite que compartilharam.
Mas ambos estavam ali, dividindo não só a mesa… como o mesmo silêncio pesado, feito de tensão, lembrança e desejo mal escondido.
Eloise não ousou levantar o olhar.
Augusto não permitiu que suas mãos tremessem.
No fim do almoço, quando ela recolheu o prato, os dedos dos dois se tocaram por um breve segundo. Ela puxou a mão rápido. Ele não disse nada. Mas o calor daquele contato permaneceu mais tempo do que deveriam permitir.
E naquele apartamento com vista para o mar, o perigo não era a auditoria, nem os negócios em jogo.
Era tudo o que os dois estavam tentando esconder — um do outro… e de si mesmos.
E aquilo… era só o começo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...