Capítulo 39
Após o almoço silencioso, os dois seguiram para o escritório improvisado dentro da cobertura. O ambiente era amplo, com janelas de vidro que deixavam a luz natural preencher o espaço. A mesa de trabalho, imponente, estava organizada com o notebook de Augusto e os relatórios principais da auditoria.
Eloise optou por se acomodar no sofá lateral, com o tablet no colo, planilhas abertas e o celular ao lado. O som suave das teclas preenchia o ambiente, junto ao leve zumbido do ar-condicionado. A tensão entre eles, embora silenciosa, ainda pairava.
O celular de Augusto vibrou. Ele pegou o aparelho, reconhecendo o nome na tela.
— Thiago — murmurou, antes de atender. — Fala.
— Como estão os pombinhos? — brincou Thiago do outro lado da linha, com a voz leve e provocadora.
Augusto fechou os olhos por um breve segundo, já esperando a piada.
— Estamos trabalhando — respondeu, seco.
Do sofá, Eloise ergueu os olhos, mas não comentou.
— Aposto que sim... — Thiago continuou, rindo. — Só espero que você não transforme a auditoria em lua de mel.
— Thiago… — o tom de Augusto ficou mais sério.
— Tudo bem, tudo bem. Sem piadas. — A voz mudou de tom. — Falando sério agora: acabei de receber uma atualização da equipe da controladoria. Alguns pontos da auditoria da filial do Rio não estão batendo. Tem movimentações estranhas nos últimos seis meses. Inclusive, documentos internos foram alterados com logins autorizados.
Augusto se endireitou na cadeira, a expressão endurecendo.
— Você consegue rastrear os acessos?
— Já estamos nisso. Mas te adianto: tem alguém dentro da filial envolvido. E quem for… tentou cobrir os rastros muito bem.
Augusto olhou para os relatórios à sua frente, os olhos ficando mais escuros.
— Ótimo. Porque, seja quem for, isso acaba agora. E quem estiver nos enganando… vai pagar caro por isso.
O silêncio do outro lado foi breve.
— Fico no aguardo das atualizações, então — concluiu Thiago.
— Eloise Nogueira, secretária do senhor Monteiro. É um prazer recebê-la, senhora Fernandes. — respondeu, retribuindo o aperto de mão com educação. — O senhor Monteiro a aguarda no escritório. Por aqui, por favor.
Enquanto caminhavam pelo corredor elegante da cobertura, Claudia franziu levemente o cenho, como quem tentava puxar uma memória antiga.
— Nos conhecemos? — perguntou, virando ligeiramente o rosto para Eloise. — Tenho a impressão de já ter lhe visto antes…
Eloise manteve o tom educado, sem hesitar.
— Acho que não, senhora. Não que eu me lembre.
Claudia não respondeu. Apenas assentiu, pensativa, mas não insistiu. O som firme de seus saltos seguiu acompanhando os passos calmos de Eloise até o escritório.
Carregava três pastas vermelhas, quatro amarelas e apenas uma preta, todas identificadas com etiquetas visivelmente organizadas.
No escritório, Augusto já estava de pé, aguardando com a expressão cerrada.
O ambiente ficou mais denso assim que os dois trocaram olhares. A auditoria, enfim, começaria — e com ela, respostas que ninguém ali estava pronto para encarar por completo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...