O prédio da Royal Cacao Group se erguia no centro financeiro da cidade como um reflexo exato do homem que o comandava.
Vidro, aço e silêncio.
Um edifício inteiro dedicado ao império do cacau — das fazendas internacionais à produção dos doces mais exclusivos do mercado. Ali dentro, cada andar respirava estratégia, números e poder.
Ricardo atravessou o saguão sem diminuir o passo.
Assim que passou pelas portas de vidro, ouviu os saltos familiares logo atrás.
— Bom dia, senhor Rocha. — disse Francisca, acompanhando-o com a prancheta nas mãos.
Fran tinha quase quarenta e cinco anos e trabalhava com ele havia mais de quinze. Conhecia seus horários, seus humores… e seus silêncios.
— Bom dia. — respondeu, sem olhar.
— Está de mau humor logo hoje? — provocou. — Justamente no dia da reunião com os investidores franceses?
Ricardo soltou um meio sorriso que não chegou aos olhos.
— Quem disse que estou de mau humor? — perguntou. — Estou ótimo. Que horas é a reunião?
— Dez horas. — respondeu ela. — Já confirmei. Estão hospedados no hotel que o senhor indicou.
— Ótimo. — ele assentiu. — Quero ir à Fazenda a tarde. Vê se consegue liberar minha agenda por volta das quatorze.
Fran ergueu uma sobrancelha.
— Vou fazer o possível.
Ela se afastou, deixando-o sozinho na sala envidraçada.
Cinco minutos depois, voltou.
Ricardo ainda estava parado no mesmo lugar, olhando para o nada.
— Trouxe um café. — disse, colocando a xícara sobre a mesa.
Ele assentiu em silêncio.
O dia seguiu como sempre: reuniões, contratos, chamadas internacionais. Os franceses assinaram sem objeções. O acordo foi fechado.
Mas a mente de Ricardo insistia em voltar para a imagem dela atravessando aquela porta na madrugada anterior.
Era quase três da tarde quando ele saiu da última videoconferência.
— Agora o senhor está oficialmente liberado. — anunciou Fran.
— Até que enfim. — murmurou.
Ele organizou a pasta, entrou no elevador e, pela primeira vez no dia, pegou o celular.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhuma notificação dela.
Nada.
No carro, recostou-se no banco e disse ao motorista:
— Fazenda Grande Rocha.
— Certo, senhor.
A cidade foi ficando para trás.
Quando chegaram à fazenda, Ricardo observou pela janela os trabalhadores espalhados pela lavoura. Alqueires e mais alqueires de cacau — verdes, vivos, produtivos.
O carro parou diante da casa principal.
João, o gerente, veio ao encontro dele.
— E então, João. Como está a terra?
— Está ótima, patrão. O plantio está perfeito. — fez uma pausa. — Mas o aplicativo de produção está dando muita pane. Ontem mesmo tivemos que operar no modo tradicional. O pessoal que vem buscar a carga reclama.
Ricardo assentiu.
— Entendo. Vou ver o que faço pra resolver isso.
Ele seguiu pelos fundos e entrou na cozinha.
A empregada se assustou quando o viu.
— Maria, calma. — disse ele, levantando a mão. — Não faça barulho. Não quero que a dona Carlota saiba que estou aqui. Só quero um café.
— Me desculpe, patrão… o senhor me assustou.
Ele se sentou à mesa.
Maria serviu o café e um pedaço de bolo.
— Acabou de sair do forno.
— Obrigado.
Não demorou muito.
Passos firmes ecoaram pelo corredor.
Ricardo reconheceu na hora.
— Que bonito, Ricardo. — disse Carlota, surgindo à porta. — Tomando café na cozinha escondido.
— Não estou escondido, mãe. A senhora entendeu mal.
— Eu sempre entendo mal, não é? — ironizou. — O que faz aqui? Não sabia que vinha hoje.
— Vim ver a plantação. Coisa de rotina.
Ela o analisou com atenção.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...