CAPÍTULO 1
Era por volta de uma da manhã.
A cidade dormia.
No apartamento de Ricardo, as luzes ainda estavam acesas.
O silêncio era denso — daquele tipo que antecede decisões irreversíveis.
Ricardo estava de pé, perto da bancada da cozinha. Nathália permanecia sentada no sofá, a bolsa largada ao lado do corpo, pronta para sair antes mesmo de decidir ficar.
— Nathália… — ele começou, a voz controlada, mas firme. — Eu propus um relacionamento sério. Você não aceitou.
Ela ergueu o olhar, sem responder.
— Propus deixar acontecer, ver no que dava. — continuou. — Você também não aceitou.
Nathália o encarou por alguns segundos. Havia cansaço ali. E medo.
Ricardo deu dois passos à frente.
— Mas você acha normal aparecer do nada no meio da noite… — respirou fundo — e ir embora antes do dia amanhecer?
Ela apertou os lábios.
— Eu não sou adolescente. — ele disse, agora mais duro. — E também não sou casado. Não preciso esconder o que sinto. Nem viver migalhas.
Nathália se levantou devagar.
— Você sabe que não podemos ter um relacionamento. — respondeu, baixa, quase defensiva.
Ricardo soltou um riso curto, sem humor.
— Você diz isso como se fosse uma regra do mundo. — aproximou-se mais. — Mas quem faz isso é você. Sempre foi.
Ela desviou o olhar.
— Se você quiser… — ele completou, sem hesitar — eu quero mais ainda.
Nathália deu de ombros, num gesto automático de quem foge quando sente demais. Pegou a bolsa no sofá e caminhou em direção à porta.
Ricardo falou antes que ela alcançasse a maçaneta.
— Se você sair por essa porta a essa hora… acabou. — a voz saiu baixa, mas definitiva. — Seja lá o que a gente tem.
Ela parou.
O silêncio se estendeu.
— Eu quero você aqui inteira. — ele disse. — Não uma visita no meio da noite. Não uma fuga antes do amanhecer.
Nathália hesitou.
Ele já tinha dito algo parecido outras vezes.
Mas nunca daquele jeito.
O olhar dele estava diferente.
O maxilar travado.
Não havia pedido ali.
Havia limite.
Ela respirou fundo.
Abriu a porta.
Saiu.
E fechou sem dizer nada.
O som da porta ecoou pelo apartamento vazio.
Ricardo permaneceu imóvel por alguns segundos.
Depois foi até o bar no canto da sala. Serviu uma dose generosa. Bebeu de uma vez.
O álcool ardeu.
Mas o peito doeu mais.
Depois da morte da esposa, ninguém tinha mexido com ele como Nathália.
Ela era leve.
Alegre.
Via beleza onde ele só via rotina.
Com ela, ele ria mais.
Sentia mais.
Era melhor.
Havia química.
Havia fogo.
Ricardo sorriu ao lembrar que, minutos antes, ela o tinha feito rir — provocando, brincando, fazendo-o até tirar a camisa num strip improvisado.
O sorriso morreu rápido.
Ele balançou a cabeça, como quem tenta se corrigir.
Serviu outra dose. Bebeu.
Colocou o copo na bancada com força suficiente para marcar presença.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...